Água do Canal do Sertão traz famílias de volta para o campo

O jovem casal de sertanejos Edenildo e Maria da Conceição está fazendo história em Alagoas, como exemplo de inversão do ciclo migratório da família. Eles deixaram as terras dos pais, em Água Branca, Sertão do Estado, e há quatro anos partiram para Minas Gerais em busca de melhores oportunidades.

Em Belo Horizonte, capital mineira, Edenildo trabalhava como açougueiro em um frigorífico, e Maria da Conceição era serviçal em uma cantina. Ambos assalariados e moradores da periferia da cidade.

Em dezembro de 2013, o pai de Edenildo, o produtor rural José Vicente, 60 anos, viu seu sonho virar realidade, quando avisou ao filho a boa nova: a água já corria pelo Canal do Sertão, pronta para irrigar sua terrinha. A volta da família fez os olhos de seu Vicente brilharem. O velho vaqueiro – que há 20 anos penava para sobreviver, buscando a água em tambores no seu carro de boi a léguas de distância – recebeu apoio do Governo de Alagoas em programas de irrigação e assistência técnica – e junto com Edenildo e sua nora Maria da Conceição esperam ansiosos pela primeira safra.

Nova paisagem

A paisagem está diferente em terras de agricultores familiares nas regiões carentes de água, principalmente o Sertão e o Agreste de Alagoas. Três novas adutoras, interligadas ao Canal do Sertão e com obras avançadas – vão distribuir e tratar o precioso líquido em 37 cidades e 350 povoados, beneficiando um milhão de habitantes.

O programa Água para Todos de construção de cisternas e barragens – em parceria com o Governo Federal – prevê a distribuição, em 2014, de mais de três mil unidades. A implantação do Programa Água Doce permite a produção de água potável via dessalinização, para a produção de peixes, forragem, engorda de caprinos.

Com recursos próprios do Estado, por meio do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza (Fecoep), o Governo está ampliando a distribuição de kits de irrigação entre os produtores do entorno do Canal do Sertão, dos atuais 50 para 950 kits, em parceria com o Governo Federal.

Do carro de boi ao kit

No quilômetro 60, dos 65 já construídos pelo Governo de Alagoas, em Água Branca, no Sertão alagoano, no pé da Serra do Caruanã, o pequeno produtor rural José Vicente dos Santos, 70 anos, e sua fiel escudeira, Creuza, 65 anos, continua a enfrentar a estiagem, em um ciclo que parece não ter fim, mas carregado de esperança.

Dois grandes motivos deixam o velho vaqueiro acreditar em dias melhores, ele que deixou de trabalhar em fazendas para se tornar dono de sua pequena propriedade, desde os anos 1990. O primeiro, e principal motivo, foi o retorno ao campo de seu filho Edenildo, 33, e sua nora Maria da Conceição, 30, e os dois filhos pequenos, Mateus Eduardo e Ana Luiza.

O segundo motivo, determinante para a volta do jovem casal para Alagoas, foi a chegada da água no Canal do Sertão e a viabilização para irrigação em suas terras, por meio dos kits de irrigação e da assistência técnica que recebeu do Governo.

“Há 20 anos sobrevivo aqui, e não tinha nada. Tive que vender minhas 20 cabeças de gado para viver. Foi muita luta e sacrifício, buscava água em tonel montado em carro de boi a léguas daqui, em Tingui. Mas, a chegada do Canal e da irrigação foi uma dádiva de Deus, tudo ficou bom demais”, comemora o produtor, que só pensa agora em recompor o seu rebanho, e vender sua safra com apoio de Edenildo e Maria da Conceição.

Mas falante que o marido Edenildo, Maria da Conceição é uma sertaneja de pele tostada do sol e, ainda carregando um sotaque mineiro, ela solta a voz quando fala de sua volta. “Só pensava em minha família aqui no Sertão, sofrendo com a seca. Tão logo ficamos sabendo da chegada da água no Canal e na certeza de ter uma terra irrigada, voltamos”, conta.

Seu xodó é uma plantação de quiabo, já que o tubérculo é um quitute indispensável na cozinha mineira. Ela passeia pela fazenda com o marido, o sogro e os filhos, apontando melancias enormes já arrancadas do chão, laranjas, cana de açúcar, feijão, milho, abobrinhas e até coqueiros. “Quero investir no quiabo, e falta bem pouco para a gente colher e vender. É muito difícil a vida de um produtor rural em uma região como esta, mas estou mais tranquila, mais sossegada, do que morar em cidade grande, sem muita liberdade. Aqui a gente tem que ter peito, raça”, finaliza Maria.

Agência Alagoas

Descrição do autor

Redação

Ainda não há comentários.

Participe da conversa