Estudantes transformam garrafas pets em vassouras ecológicas

O período do intervalo é esperado com ansiedade quando se é estudante do Ensino Fundamental e Médio: é aquele momento no qual os alunos colocam a conversa em dia, divertem-se e fazem um lanche rápido para reiniciar os estudos.

Na Escola Estadual Rosalvo Lobo, o intervalo também costumava ser um horário de desperdício, visto que, com a venda de refrigerantes aos alunos, todos os meses a escola jogava no lixo uma média de 100 garrafas de dois litros. Só que hoje esta realidade mudou graças a um projeto que faz uma curiosa combinação entre matemática e sustentabilidade por meio de vassouras ecológicas.

Para entender melhor a iniciativa, é preciso voltar para 2013, quando as turmas de 3º ano do Ensino Médio da escola se engajaram em um projeto de reaproveitamento de garrafas pet na produção de vassouras, orientado pela professora de matemática Ligia Stefanelli. A iniciativa tinha como objetivo reduzir o desperdício de garrafas de plástico existente na escola de forma criativa, bem como estimular as habilidades dos alunos em trabalhos manuais.

“Ao darmos conta do desperdício que tínhamos na escola, buscamos uma forma de reaproveitar as mesmas e evitar que fossem parar no lixo. Daí surgiu o projeto das vassouras de garrafa pet. Procuramos vídeos na Internet mostrando como as vassouras feitas e começamos a trabalhar. Para cada vassoura, utilizamos dez garrafas e alguns de nossos alunos já levaram estas vassouras para casa”, conta Ligia.

A iniciativa foi tão bem-sucedida que hoje não são vistas mais garrafas pets no lixo da escola. “Hoje, enviamos todas as garrafas para a produção das vassouras, um projeto que é muito bom, pois também estimula a criatividade dos meninos”, destaca Elson Dantas, responsável pela administração da cantina da escola

Outro fato que atesta o sucesso do projeto foi a sua premiação na Feira de Ciências do Estado de Alagoas (Feceal), promovida Secretaria de Estado da Educação e do Esporte (SEE), por meio do Centro de Ciências e Tecnologia da Educação (Cecite), em dezembro de 2013. Concorrendo com 24 trabalhos, o projeto foi bronze na categoria Ensino Médio.

Benefícios

A professora Ligia aponta que o projeto trouxe benefícios que ultrapassam os limites da disciplina de matemática. Além de fazer cálculos e elaborar gráficos, os alunos aprenderam a redigir relatórios para projetos científicos, melhorando o conhecimento em Língua Portuguesa e sua capacidade de se expressar em público.

Foi o caso do estudante Iago Teixeira, 18 anos, que participou de apresentação do projeto no Feceal. “Este projeto é gratificante, pois estamos ajudando a preservar o meio ambiente e, durante a feira, tivemos a chance de apresentar nosso trabalho e ainda conhecer projetos e pessoas de outras escolas estaduais, o que foi muito bom”, avalia.

O colega de Iago, Wallison Rodrigues, também com 18 anos, levou o aprendizado do projeto para o seu cotidiano e diz que hoje enxerga a matemática com outros olhos.

“A matemática já não é um bicho de sete cabeças, pois vejo que ela pode ser usada no nosso dia a dia. O que aprendi no projeto repassei para a minha família e também para os amigos da minha igreja, onde já fizemos castiçais de garrafa pet para uma festa na nossa comunidade”, observa.

Futuro

A direção da escola também comemora os resultados alcançados com a iniciativa. “Ações como esta são muito importantes. Foi um diferencial para a escola, promovendo o engajamento dos jovens e a conscientização em relação a temas importantes como o meio ambiente”, ressalta a diretora-adjunta Luciana Trindade.

A gestora conta que a unidade pretende prosseguir com o projeto com as próximas turmas. “Para isso, vamos discutir o projeto com os demais professores da escola durante a próxima semana pedagógica da escola”, completou.

Agência Alagoas

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Redação

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