Falta de vice é um problema comum aos presidenciáveis em 2018

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A corrida presidencial começou para valer com a abertura da temporada de convenções partidárias na última sexta-feira (20/7). Diante dos primeiros encontros promovidos por PDT, PSL e PSC, uma tendência foi confirmada: a dificuldade para a definição de nomes para concorrerem como vice nas chapas nacionais. Ciro Gomes, Jair Bolsonaro e Paulo Rabello de Castro foram lançados sem candidatos para o Palácio do Jaburu.

Essa dificuldade é reflexo das articulações atravancadas para formação de coligações. Exemplo disso são as negociações promovidas pelo Centrão, bloco formado por PR, PP, DEM, PRB e Solidariedade. Nas últimas semanas, o grupo conversou com Ciro e com o pré-candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. Na quinta (19), esses partidos sinalizaram que vão apoiar o tucano.

E, no acordo para candidato à suplência presidencial, o Centrão indica o empresário mineiro Josué Alencar, filiado ao PR e filho de José Alencar, o vice do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Alckmin e Josué reuniram-se nesta segunda (23) para acertarem os detalhes do apoio.

Com a negativa do Centrão, Ciro volta agora as atenções para Marcio Lacerda (PSB), ex-prefeito de Belo Horizonte (MG). O PDT está disposto a oferecer a vaga de vice para o PSB. O diretório pessebista trata Lacerda como pré-indicado para concorrer ao Jaburu na chapa de Ciro.

A opção do Centrão por Alckmin também afetou a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL). O deputado federal sonhava com Magno Malta como seu vice, mas a decisão do PR de indicar Josué Alencar ao tucano enterrou de vez a chapa com o senador do Espírito Santo.

A recusa do PR não foi a única ouvida por Bolsonaro nos últimos dias. Na semana passada, ele chegou a escolher o general Augusto Heleno, do PRP-DF, para ser seu vice. A legenda, no entanto, rejeitou a proposta do deputado. Na convenção nacional do PSL, Bolsonaro posou ao lado da advogada e professora Janaína Paschoal, uma das autoras do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. A decisão, porém, ainda não foi oficializada pelo partido.

Barreiras
Como uma das justificativas apresentadas a Jair Bolsonaro para não formalizar o general Heleno como candidato a vice, o PRP alegou dificuldades por causa da cláusula de barreira, aprovada em outubro de 2017.

Também chamada de cláusula de desempenho, essa regra restringe a atuação de partidos pequenos no Congresso. Na eleição deste ano, as legendas que não alcançarem 1,5% dos votos válidos para a Câmara (distribuídos em nove estados e com 1% de apoio dos eleitores em cada unidade da Federação) não terão acesso a recursos do fundo partidário e ao tempo de propaganda eleitoral em 2019.

Segundo o sociólogo e cientista político Antônio Lavareda, a cláusula de barreira é apenas uma das preocupações das legendas nanicas. “Os partidos pequenos estão ultraprecavidos, não somente por conta da cláusula de barreira, mas também por conta de orçamento, que está apertado para eles”.

Para Lavareda, as articulações entre as siglas prometem ser emocionantes até o final da campanha, já que o período eleitoral deste ano é menor. “Os partidos aguardam as respectivas alianças. É um ano diferente de todos os outros. Nós temos um calendário atrasado em relação às eleições anteriores”.

O professor Ricardo Caldas, da Universidade de Brasília (UnB), acredita que as negociações atravancadas fazem parte do roteiro planejado pelos candidatos. “Isso é proposital. Não é ao acaso. Os partidos deixam as vagas para vice abertas de propósito. Eles jogam com uma série de possibilidades para negociarem os postos”.

As demais negociações
O PT negocia com o PCdoB para lançar Manuela D’Ávila como vice na chapa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na última quinta (19/7), a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e a deputada federal Luciana Santos (PCdoB-PE), presidentes nacionais das suas legendas, reuniram-se para acertar o possível acordo. Manuela, no entanto, mantém sua pré-candidatura diante da falta de união dos partidos de esquerda.

Com dificuldades para fechar alianças, a ex-senadora e ex-ministra Marina Silva (Rede) também corre para definir um vice. Nas últimas semanas, ela intensificou as conversas com o Pros. O ex-deputado federal petista Maurício Rands é o nome mais cotado caso o apoio seja formalizado. Se o acerto minguar, Marina talvez adote uma solução caseira: o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, pode concorrer ao Palácio do Jaburu.

O Pros também é sondado por Alvaro Dias, pré-candidato do Podemos. Nessa quinta-feira, o senador paranaense e a presidente da legenda, Renata Abreu, reuniram-se com Eurípedes Junior, presidente nacional do Pros. Dias também quer fechar aliança com o Patriota (ex-PEN).

Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda, busca ainda convencer o MDB a confirmá-lo como candidato ao Planalto. Publicamente, nenhum partido mostra-se disposto a formar chapa com o emedebista. A convenção do MDB está marcada para 2 de agosto.

Ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), Paulo Rabello de Castro negocia chapa com o PRTB. Levy Fidelix e o general Hamilton Mourão são oferecidos para a chapa presidencial encabeçada pelo PSC.

Até o momento, apenas três pré-candidaturas possuem vices encaminhados, todas nanicas: Guilherme Boulos (PSol), João Amoêdo (Novo) e Vera Lúcia (PSTU).

A líder indígena Sônia Guajajara concorrerá ao lado do líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos. Já Amoêdo terá como vice o cientista político Christian Lohbauer. O pré-candidato a vice-presidente pelo PSTU é o professor Hertz Dias.

Metrópoles

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Ana Luiza

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