Evento no IAC busca discutir formas de financiamento para as pesquisas com cana-de-açúcar no Brasil

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O melhoramento genético e a biotecnologia na cana-de-açúcar serão tema de painel coordenado pelo pesquisador e líder do Programa Cana do Instituto Agronômico (IAC-APTA), Marcos Guimarães de Andrade Landell, durante o Simpósio de Integração da Pesquisa Pública em Cana-de-açúcar no Brasil, que será realizado em 15 de março de 2018, a partir das 8h30, no Centro de Cana IAC, em Ribeirão Preto, interior paulista. O evento é promovido pelas 22 instituições que compõem o Programa Plurianual Integrado de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) em Cana-de-Açúcar (Pluricana), entre elas o IAC, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, e busca discutir formas de financiamento para as pesquisas com cana-de-açúcar, uma das principais culturas econômicas do Brasil.

O objetivo do painel é discutir as ações dos três programas de melhoramento genético de cana existentes no Brasil, além de empresas privadas que desenvolvem este trabalho e ações em biotecnologia. O painel reunirá representantes do IAC, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa), Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), Vignis, GranBio, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e PangeiaBiotech.

De acordo com Landell, o objetivo do simpósio é colocar luz na discussão sobre o financiamento da pesquisa para o setor sucroenergético. A ideia é buscar soluções para alavancar essas pesquisas no País e pensar em alternativas para a sustentabilidade financeira dos trabalhos. Segundo o líder do Programa Cana IAC, o projeto Pluricana tenta amenizar, de maneira parcial, o déficit de investimentos existente nas instituições oficiais no que se refere à área de melhoramento genético. Estima-se que na atualidade, o investimento, considerando as captações públicas e privadas, giram em torno de US$ 2,50 por hectare no Brasil.

“Atualmente, áreas de pesquisa em pré-melhoramento, por exemplo, quase não recebem recursos comprometendo avanços significativos na cultura. Além disso, o Comitê do Projeto Pluricana constatou uma grande demanda por recursos humanos nessas instituições oficiais, somada à necessidade de melhoria das infraestruturas existentes para o desenvolvimento de pesquisa nessas áreas”, afirma Landell.

Durante o painel, Landell apresentará as pesquisas de melhoramento genético de cana realizadas pelo Instituto Agronômico e tecnologias de manejo que podem contribuir para os canavicultores alcançarem produtividades acima de 100 toneladas por hectare. Atualmente, a média de produtividade nos canaviais paulistas é de 80 toneladas por hectare.

“É necessário que os produtores incorporem de forma mais rápida as novas variedades disponibilizadas pelos programas de melhoramento genético. Essas novas variedades trazem ganhos superiores a 15% na produtividade. Aliado a isso, temos tecnologias de manejo que podem aumentar em até 30% a produção, como a matriz de cana do IAC, que busca alocar as variedades na propriedade de acordo com o perfil dos materiais e dos ambientes de produção, mitigando, assim, os déficits hídricos”, explica o pesquisador.

Simpósio

O Simpósio Integração da Pesquisa Pública em Cana-de-Açúcar reunirá representantes da Embrapa, IAC, Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), Ridesa, Financiadora de Estudos e Projeto (FINEP), Prefeitura de Ribeirão Preto, Ministério de Minas e Energia, Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Sociedade dos Técnicos Açucareiros e Alcooleiros do Brasil (STAB), Organização de Plantadores de Cana (Orplana), União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), União dos Produtores de Bioenergia (UDOP), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis.

Para o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, o evento é importante por reunir as principais instituições ligadas à ciência, tecnologia e inovação e o setor sucroernegético para discutir e pensar em soluções importantes para a sustentabilidade da pesquisa e da canavicultura paulista e brasileira. “Uma das orientações do governador Geraldo Alckmin é a aproximação da pesquisa com o setor de produção. Esperamos com esse evento propor soluções em conjunto para uma cultura de muito interesse para São Paulo”, afirma.

Além do painel sobre melhoramento genético e biotecnologia na cana-de-açúcar, será discutido o setor sucroalcooleiro energético: situação atual e perspectivas e o sistema de produção atual e novas tecnologias para cana-de-açúcar. Mais informações podem ser acessadas no link https://www.embrapa.br/en/simposio-cana.

O evento é uma realização da Embrapa, STAB, Programa Cana IAC, Ridesa, Projeto Pluricana/Finep, Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e Governo Federal. O simpósio conta com o apoio da Ourofino Agrociência, Buchi, Case In/Racine, Biosul, UPL e Orplana.

Projeto Pluricana

O Projeto Pluricana tem o objetivo de construir uma rede de pesquisa, desenvolvimento e inovação em cana, integrando e ampliando a base genética utilizada pelos programas de melhoramento genético. Dentro os participantes do projeto, há dois institutos estaduais – o IAC e o Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR) – sete unidades da Embrapa, dez universidades ligadas à Ridesa e três universidades estaduais. Em dezembro de 2016, o Finep liberou recurso de R$ 4,5 milhões para o projeto, com duração de dois anos e meio.

O Pluricana envolve ações ligadas ao melhoramento genético convencional e assistido da cana, introdução de quarentena de plantas, sistemas de produção e biotecnologia avançadas em cana. Os estudos englobam ainda soluções para cogeração de energia, com culturas como Arundo donax (cana gigante), capim-elefante, casca de coco-verde, sorgo sacarino e sorgo biomassa. Há também estudos na linha de fitossanidade em fixação biológica de nitrogênio. No projeto, estão previstos recursos para ampliação e manutenção das estações de cruzamento genético do IAC, localizada na Bahia, e da Ridesa. “Começamos a compartilhar alguns germoplasmas entre as instituições, uma iniciativa importante para integrar os projetos de melhoramento genético”, afirma Landell.

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Fernanda Feliciano

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