Desembolsos de crédito rural têm forte alta

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Nos sete primeiros meses da temporada – de julho do ano passado ao último mês de janeiro -, produtores, empresas e cooperativas tomaram R$ 99,6 bilhões junto aos bancos, um aumento de 12,6% na comparação com o mesmo período do ciclo 2016/17, de acordo com dados do Banco Central.

Em tempos de juros mais baixos no Brasil, esse maior crescimento está alicerçado nas linhas de comercialização, que já totalizaram R$ 20 bilhões em liberações pelas instituições financeiras nesse intervalo, um incremento de 31,5%.

Essa maior demanda por financiamentos para comercialização vem sendo direcionada sobretudo à estocagem de grãos, especialmente milho, café e arroz, além de leite.

“O comportamento dos preços desses produtos, que estão relativamente menores do que em períodos anteriores, induziu o produtor a fazer estoques à espera de preços melhores”, afirma o diretor de Crédito e Estudos Econômicos do Ministério da Agricultura, Wilson Vaz.

Mas outra motivação para que esses contratos de crédito estejam deslanchando é uma mudança de regras que passou a valer no Plano Safra 2017/18. Pela primeira vez o governo estabeleceu que os financiamentos de operações de comercialização não poderiam mais contar com fontes controladas de recursos, apenas com recursos livres.

Nesse contexto, as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) passaram finalmente a se destacar como fonte de recursos nessa frente.

O montante de crédito contratado para comercialização baseado em LCA, por exemplo, quadruplicou de julho de 2017 a janeiro passado e alcançou R$ 6 bilhões. O valor faz parte dos R$ 13,6 bilhões disponibilizados pelo governo no Plano Safra 2017/18 a taxas de juros controladas, que podem variar de 8,5% a 12,75% ao ano.

Não por acaso, as contratações de crédito rural como um todo que têm como base captações de LCA registraram elevação de 47,2% nos sete primeiros meses do ciclo e atingiram R$ 13,4 bilhões.

A contratação de recursos para investimentos também cresceu nesse intervalo 18,2% para R$ 22,7 bilhões. Com exceção do Moderfrota, que financia a aquisição de máquinas agrícolas e teve suas operações suspensas temporariamente em janeiro por causa da entrada em vigor da Taxa de Longo Prazo (TLP), todas as linhas dessa modalidade tiveram aumento de desembolsos nos sete primeiros meses da safra 2017/18.

É o caso do PCA, voltado para armazenagem, cujos desembolsos dobraram e somaram R$ 437 milhões, e do programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono), muito usado para recuperação de pastagens degradadas, que registrou alta de 50% em suas contratações no mesmo intervalo.

Ainda que em ritmo menor, os desembolsos para custeio, modalidade mais demandada no meio rural, também aumentaram: 4%, para R$ 57 bilhões. Como o plantio de grãos como soja e milho na região central do país já foi concluído, a desaceleração do ritmo de crescimento é normal nesta época do ano.

De modo geral, os empréstimos vêm sendo liderado pelos bancos públicos, sobretudo pelo Banco do Brasil. A instituição já viu suas operações de crédito rural somarem R$ 46,5 bilhões nesta safra, 30% mais que no mesmo período da temporada passada.

Portal do Agronegócio

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Vanessa Ataíde

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