Usina Cachoeira deve demitir mais de 2 mil pessoas

http://edivaldojunior.com.br/wp-content/uploads/2018/02/aryl-lyra.jpegUsina Cachoeira deve demitir mais de 2 mil pessoas

Localizada no município de Maceió, a Usina Cachoeira suspendeu as atividades industriais. A informação foi confirmada pelo diretor do Grupo Carlos Lyra, Aryl Lyra, na tarde desta quarta-feira, 31, após o ‘vazamento’ da informação na imprensa. O grupo mantém outras duas usinas em operação em Alagoas – a Caeté, em São Miguel dos Campos e a Marituba, em Igreja Nova.

“Pela manhã reunimos os trabalhadores na sede da empresa e comunicamos que lamentavelmente fomos forçados pela situação atual, de escassez de matéria-prima a suspender a produção de açúcar e etanol, que se tornou inviável diante dos altos custos”, explicou Carlos Lyra, em um dos escritórios da sede do Grupo, no bairro de Jaraguá.

Apesar da paralisação das atividades industriais, o diretor evita falar em fechamento e explica o porquê: “as atividades agrícolas serão mantidas, com a permanência do cultivo em um área de ao menos 6 mil hectares de cana-de-açúcar. Além disso, também vamos realizar serviços de manutenção no parque industrial, que ficará pronto para voltar a operar se a situação melhorar”, aponta.

A paralisação da Cachoeira se deu, segundo o diretor, por falta de matéria-prima, principalmente dos fornecedores de cana. “Há alguns anos, chegamos a moer de 500 mil a 600 mil toneladas de cana de fornecedor numa safra. Nesta safra, concluída este mês, Cachoeira moeu apenas 54 mil toneladas de cana de fornecedor, o que representa pouco mais de 10% do total de nossa safra, que foi de 490 mil toneladas”, explica Aryl Lyra.

A queda na produção de cana, que afeta principalmente os fornecedores, é resultado de vários fatores, com agravamento do quadro em função da seca dos últimos anos: “hoje todo o parque fabril do estado de Alagoas – e não apenas Cachoeira – está operando com capacidade ociosa. O estado produziu 28 milhões de toneladas e deve colher agora apenas 14 milhões. Para manter todas as usinas operando seria preciso que os fornecedores tivessem crédito para voltar a plantar, o que não ocorrer hoje”, enfatiza Lyra.

Outro fator que pesou na suspensão das atividades da indústria, reforça Lyra, foi a importação de etanol dos Estados Unidos. “Essa importação vem afetando principalmente as usinas de todo o Nordeste, que sofrem com uma concorrência desleal. Mas se continuar assim, todas as usinas do Brasil serão penalizadas e muitas terão que suspender suas atividades”, aponta.

Empregos

De acordo com Aryl Lira, o Grupo Carlos Lyra vai assegurar todos dos direitos trabalhistas para os trabalhadores que serão desligados da Cachoeira. Pelo levantamento inicial, serão desligados 2,2 mil trabalhadores, sendo cerca de 600 da área urbana (indústria, administrativo, logística etc) e os demais do setor rural (corte, plantio etc).

O Grupo vai manter, no entanto, cerca de 500 trabalhadores na unidade Cachoeira: “esses trabalhadores vão fazer a manutenção do parque industrial e atuar, principalmente, no campo, uma vez que a produção de cana-de-açúcar vai continuar”, adianta.

A cana-de-açúcar da Cachoeira, segundo Lyra, será, a partir de agora e pelas próximas safras, esmagada na unidade Caeté, em São Miguel dos Campos. Apesar da distância, de mais de 60 km, o custo será menor do que manter a usina de Maceió em funcionamento.

Nas demais usinas do Grupo, as atividades seguem normal, sem risco de paralisação. A Usina Caeté, a maior do Grupo, deve seguir com a moagem até 10 de março, com estimativa de esmagar cerca de 1,7 milhão de toneladas de cana Já a Marituba, deve encerrar a safra um pouco antes, com uma safra de aproximadamente 720 mil toneladas de cana.

Repercussão

O Portal Gazetaweb registrou, em primeira mão, a paralisação da Usina Cachoeira. Veja aqui:

http://gazetaweb.globo.com/portal/noticia/2018/01/usina-cachoeira-do-meirim-promove-demissao-em-massa-de-trabalhadores_48409.php

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Ana Luiza

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