Ministros tentam suspender leilão de privatização da Transpetro

http://edivaldojunior.com.br/wp-content/uploads/2017/11/PRIVATI.jpgMinistros tentam suspender leilão de privatização da Transpetro

O terminal da Transpetro no Porto de Maceió, uma estrutura montada para distribuição de combustíveis e para a exportação do petróleo e etanol produzidos em Alagoas, está prestes a ser privatizado. O leilão está marcado para o próximo dia 7 de dezembro. A informação revelada em primeira mão, na Coluna de Cláudio Humberto, na edição de terça-feira, 21, na Gazeta de Alagoas, desencadeou uma rápida reação de produtores de estados do Nordeste.

O ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, o alagoano Maurício Quintella, passou a trabalhar conjuntamente com o ministro das Minas e Energia, o pernambucano Fernando Coelho Filho, monitorando o processo do leilão.

A Transpetro é concessionária da área onde está instalado o Terminal, no Porto de Maceió e, legalmente, tem direito a fazer a operação. Em resposta a consulta feita pelos dois ministros a empresa que pertence à Petrobras explica que pretende terceirizar parte da sua capacidade de estocagem para reduzir a ociosidade das instalações. A ociosidade do terminal de etanol seria, hoje, de 60%.

Por telefone, Maurício Quintella promete continuar acompanhando pessoalmente a operação, porque ela pode trazer repercussões negativas à economia local. O objetivo, num primeiro momento, é suspender ou pelo menos adiar o leilão de privatização do terminal, marcado para o próximo dia 7. “Estamos atuando politicamente, tentando convencer a Transpetro que é necessário realizar um estudo mais aprofundado sobre o impacto que essa medida vai causar na economia regional, antes realizar esse leilão”, aponta o ministro.

Quintella revela que a preocupação dele de Fernando Coelho Filho se dá especificamente com a comercialização do etanol local. “A privatização em si não seria ruim, se não afetasse as indústrias locais, que são grandes geradoras de mão de obra. Eu conversei com líderes do setor produtivo e eles alegam que se o terminal for utilizado para importação poderá prejudicar as indústrias não só de Alagoas e Pernambuco, mas de todos os outros estados produtores do Nordeste”, aponta.

Apelo

“Conversei com o ministro Maurício Quintella, expondo a preocupação com essa operação. O que tememos é que esse terminal possa ser usado para fazer a importação do etanol de milho dos Estados Unidos. Se for assim, prejudicará ainda mais as usinas de Alagoas, que já estão atravessando a pior crise de sua história”, revela o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Alagoas (Sindaçúcar-AL), Pedro Robério Nogueira.

A maior surpresa é que nem o ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, o alagoano Maurício Quintella, nem mesmo o administrador do Porto de Maceió, Gustavo Abdalla, tinham conhecimento do leilão, embora a Transpetro seja uma concessionária da área que ocupa no Porto de Maceió.

O que mais preocupa os empresários locais não é a privatização em si. O problema, é que existem indícios de que o terminal será assumido por dois grandes importadores de etanol de milho dos EUA, que operam no Sudeste. Estes importadores foram responsáveis pela importação, somente nos três primeiros meses deste ano, de 720 milhões de litros do combustível, o que representou aumento de mais de 400% em relação o mesmo período do ano passado.

“O maior volume importado é feito atualmente pelo Estado do Maranhão e ocorre justamente no período em as usinas do Nordeste estão em plena safra, gerando uma concorrência desleal e dificultando o escoamento da nossa produção”, aponta Pedro Robério. O presidente do Sindaçúcar de Pernambuco, Renato Cunha, num movimento semelhante, também acionou o ministro das Minas e Energia, o pernambucano Fernando Coelho Filho.

Segundo Cunha, a produção nacional de etanol, de 27 bilhões de litros anuais atende perfeitamente a demanda por 25 bilhões de litros do combustível. Apesar disso, ressalta, têm sido importados mais de 1,3 bilhão de litros por ano no auge da produção de álcool combustível (ou etanol) no Nordeste”. Nessa fase, segundo empresários do setor, as destilarias do Sudeste estão na fase de entressafra, sem produzir, e seus proprietários, também distribuidores do etanol, passaram a fazer importações dos EUA até para fragilizar os concorrentes do Nordeste”.

O terminal

Em Maceió, o Terminal da Transpetro no Porto de Maceió opera, segundo a Petrobras “com caminhões-tanque para o transporte de diesel e de gasolina diretamente às distribuidoras, além de petróleo e de álcool. A movimentação dos produtos visa atender o estado de Alagoas, as refinarias da Petrobras e os países que importam álcool”.

Segundo a Petrobras, “o Porto de Maceió é constituído de 6 berços para operação com granéis líquidos, com calado de 10,5 metros, nos quais há dutos para movimentação de granéis líquidos, que são operados pela Transpetro”.

O terminal tem quatro tanques de estocagem de petróleo com capacidade de estocagem de 26 mil m3 e seis tanques para derivados de petróleo, etanol e biodiesel, com capacidade de estocagem de 30 mil m3.

Edivaldo Júnior

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Polyana Lima

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