Reforma trabalhista desagrada investidores nos EUA: ‘Não é capitalista’

A reforma trabalhista proposta pelo governo do presidente Michel Temer desagrada também empresários, investidores, advogados e representantes de empresas do setor financeiro dos Estados Unidos. O motivo, no entanto, é bem diferente do que faz com que os sindicatos brasileiros e muitos trabalhadores se oponham à proposta.

Em um encontro realizado na Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, na semana passada, em Nova York, empresários se demonstraram insatisfeitos com as novas regras. Um dos principais motivos seria a dificuldade de terceirizar trabalhadores.

Como cita a “Folha de S. Paulo”, muitos deles pretendiam demitir e recontratar os mesmos funcionários de prestadoras de serviços, mas não gostaram de saber que a nova lei impõe um prazo de um ano e meio para essa recontratação. A regra inviabilizaria a manobra para pagar menos encargos sobre a folha de pagamento.

“Esse é um ponto crítico que falhou”, disse Gustavo Salgado, do banco japonês Sumitomo Mitsui, que tem operações em São Paulo. “É uma questão muito sensível porque pode tornar nossas empresas mais competitivas”, justificou.

A insatisfação não para por aí: “Então quer dizer que ainda não vamos poder reduzir salários? Isso é a coisa mais anticapitalista que existe”, reclamou Terry Boyland, da CPQI, empresa que presta serviços de tecnologia a bancos na América Latina. “E se perdermos dinheiro? Vamos também dividir os prejuízos?”

Contudo, alguns pontos da proposta são animadores, pelo menos para os empresários. Como, por exemplo, quando o trabalhador perder uma ação movida contra a empresa, ele terá de arcar com os custos jurídicos.

Segundo a avaliação do advogado Dario Abrahão Rabay, a medida vai acabar com a “indústria de ações” e a “cultura de litígios”. “Esperamos ver uma queda no número de processos”.

“Como não custa nada processar, prevalecia antes a ideia de mover uma ação só porque podem”, concordou Alberto Camões, da Stratus, empresa que presta serviços de consultoria a outros grupos no Brasil.

Para John Gontijo, da Farkouh, Furman & Faccio, empresa que presta serviços de consultoria tributária em Nova York, o grande benefício da reforma é diminuir o poder dos sindicatos e tornar as relações entre patrão e empregado mais flexíveis.

Notícias ao Minuto

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Vanessa Ataíde

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