Queda no preço da cesta básica é motor de reação

Em 2016, os R$ 880 do salário mínimo conseguiam comprar uma cesta básica por R$ 701, sobrando R$ 179 para todas as demais despesas do orçamento. Hoje, com o salário mínimo nacional em R$ 937 e a cesta básica mais barata, custando R$ 643, sobrariam R$ 294 – ou seja, 64% a mais em relação ao que restava para as outras despesas, segundo o economista Fernando Monteiro. Isto sugere que comida ‘mais barata’ passou a ser o principal motor de reação da economia.

Em entrevista à coluna Mercado da Folha de São Paulo, o corretor da Tullett Prebon observou o uso da pequena folga orçamental ainda dentro de um consumo “regrado”. Embora o brasileiro venha demonstrando mais confiança para gastar e reorganizar as finanças, Monteiro pondera que o dinheiro extra ainda é curto e o cenário nacional segue com pouca precisão.

Dados da Tendências Consultorias também revelam que para famílias ou indivíduos que ganham até cerca de R$ 2.300 por mês –2,5 salários mínimos–, a queda no preço dos alimentos representou economia de ao menos R$ 300 nos 12 meses até agosto. Em março, quando a economia com comida começou a aparecer, o extra era bem menor, de apenas R$ 14. As famílias de baixa renda seriam as maiores beneficiadas com a queda no preço dos alimentos, uma vez que destinam pelo menos 30% do orçamento para a alimentação.

“Quando se olha isoladamente, o alívio é pequeno no orçamento, mas é ele que tem canalizado recursos para outros produtos”, conclui João Morais, economista da consultoria Tendências entrevistado pela Folha.

Notícias ao Minuto

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Vanessa Ataíde

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