A menor safra de cana da história em AL começa nesta segunda-feira

Se a chuva não atrapalhar, a moagem da safra de cana-de-açúcar 16/17 em Alagoas começa, na próxima segunda-feira, 11, em Alagoas.

E começa tardiamente, se for feita a comparação com os ciclos anteriores – normalmente iniciados em meados de agosto. Além de tardia, a moagem começa com expectativa de quebra na produção.

A estimativa, no cenário atual, é que o volume colhido chegue a no máximo 15 milhões de toneladas ante 16,1 milhões a safra anterior.

“O desenvolvimento dos canaviais foi duramente prejudicado pela seca verificada em Alagoas, especialmente no período de colheita anterior, entre setembro do ano passado e abril deste ano. Hoje, podemos falar num teto 15 milhões de toneladas, mas é claro que tudo vai depender das chuvas de verão. As previsões para este mês são muito boas e esperamos que também chova em outubro e nos meses seguintes, o que poderá amenizar as perdas”, explica o presidente do Sindaçúcar-AL.

A redução, no entanto, poderá ser maior. Note bem. O presidente do Sindaçúcar-AL fala em “teto” de 15 milhões. E qual será o piso? Nem ele, nem ninguém sabe. Se chover bem no verão, certamente a safra – segundo técnicos do setor – ficará acima de 14 milhões podendo chegar a 15 milhões de toneladas. Se não chover em outubro, a moagem pode ficar até menor que 14 milhões de toneladas.

Na história recente – incluindo os dados dos últimos 40 anos, quando o setor sucroalcooleiro alagoano passou por um “boom” de expansão em função do proalcool (veja tabela) – só a safra 93/94 registrou números inferiores a safra 16/17,  com uma produção de 15,8 milhões de toneladas. Naquele período, a quebra de produção foi provocada pela seca. Nada diferente da última safra. no estado

A perda de faturamento no setor será proporcional à redução de safra. Para cada 1 milhão de toneladas, pelo menos R$ 200 milhões devem deixar de circular na de Alagoas. Os prejuízos para o setor podem, portanto, chegar aos R$ 400 milhões.

Situação é pior entre fornecedores

Os estragos provocados pela escassez de chuvas ainda causam reflexos na zona canavieira de Alagoas. As fortes precipitações pluviométricas registradas a partir de maio deste ano não foram suficientes para repor as perdas de produção, maiores entre os fornecedores de cana-de-açúcar.

As maiores reduções, avalia Pedro Robério Nogueira se darão nas canas de fornecedores: “as informações que temos tanto das usinas quanto da própria Asplana, é que houve uma perda grande de socaria, o que deve acarretar numa quebra de produção acentuada do fornecedor de cana, afetando a produção geral do setor”.

De fato. Segundo a Asplana, a safra 17/18 começa com perspectivas de queda – tanto no preço, quanto no volume de produção. O cenário, segundo o presidente da associação, Edgar Filho, é preocupante: “a seca provocou a perda de socaria em todas as regiões produtoras do estado, prejudicando principalmente o fornecedor. Com isso, devemos ter uma redução na colheita acima de 20%, apesar das chuvas, que ocorreram a partir de maio”, avalia.

Início da moagem

Um bom exemplo desse quadro se encontra na Santo Antônio, em São Luiz do Quintude, região norte de Alagoas. Tradicionalmente, primeira unidade industrial a iniciar a safra no Estado, sempre no mês de agosto, este ano, acionará suas caldeiras a partir a próxima segunda, 11.

O superintendente Agrícola da usina, Marcos Maranhão, espera que a moagem da cana própria chegue a 1,5 milhão de toneladas, praticamente repetindo a colheita anterior (1,52 milhão). “A maior redução deve se dar com a cana de fornecedor, que na safra passada foi de 350 mil toneladas e nesta deve chegar a 250 mil toneladas”, afirma.

A Cooperativa Pindorama também deve iniciar a moagem nesta segunda-feira. A usina, que fez uma área maior de renovação em relação as demais unidades, espera um crescimento de safra de até 15%. “Na safra passada moemos 700 mil e nesta, a depender das chuvas de verão, vamos esmagar de 800 mil a 850 mil toneladas”, diz Klécio Santos, presidente da Pindorama.

Outras usinas de Alagoas também preveem iniciar a moagem na próxima semana. De acordo com o calendário do Sindaçúcar, anunciaram o início da moagem também para setembro as unidades industriais Camaragibe (12); Coruripe (15); Taquara (15); Copervales (16) e a Leão (18), além da Serra Grande (26).

Para o mês de outubro, será a vez da safra 17/18 começar para as unidades Porto Rico (02); Seresta (03); Sumauma (03); Santa Clotilde (10) e Penedo (17). As usinas do Grupo Caeté (Cachoeira, Caeté e Marituba) também iniciam a moagem de outubro, mas ainda não informaram as datas de início da moagem em cada unidade.

Descrição do autor

Edivaldo Junior

Edivaldo Junior

Edivaldo Junior é jornalista, colunista da Gazeta de Alagoas e editor do caderno Gazeta Rural

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