Bancada federal tentar salvar o leite de 80 mil famílias de Alagoas

Alagoas não deixará o programa do leite acabar. Pelo menos sem fazer todo o barulho a quem tem direito.

E não é para menos. Pelo menos 80 mil famílias que são beneficiadas com um litro do produto, 4 vezes por semana, correm o risco de deixar de receber o leite que reforça a alimentação de crianças, nutrizes e gestantes em situação de risco alimentar.

Não é só. Na outra ponta, mais de 3 mil agricultores familiares que fornecem leite para o programa correm o risco de perder uma importante renda, de R$ 1,26 por cada litro fornecido, o que pod elevar a maioria deles a abandonar a atividade.

“Hoje a situação e de crise. Com o atraso no pagamento, muitos agricultores familiares já avisaram que vão deixar o pagamento se os recursos não forem liberados nos próximos dias”, alerta Aldemar Monteiro, presidente da Cooperativa de Produção Leiteira de Alagoas (CPLA), que representa mais de 2 mil produtores do programa do leite.

O presidente da cooperativa Pindorama, Klécio Santos, reforça a necessidade de regularização do pagamento para a normalização do programa: “o agricultor familiar está acostumado a receber pagamentos quinzenais pelo leite que é fornecido. O atraso de cinco quinzenas desanima, desestimula e certamente, se continuar assim, representa uma séria ameaça a continuidade do programa em Alagoas”, aponta.,

O papel bancada federal

Deputados federais e senadores de Alagoas se reúnem, nesta segunda-feira, a partir das 8h, na sede da CPLA, no Parque da Pecuária, em Maceió, para tentar conter a crise que ameaça o programa do leite em Alagoas.

Para o encontro são aguardados mais de 200 agricultores familiares, vindos de todas as regiões do estado, que fornecem o leite para o programa.

A partir da reunião, deputados e senadores de Alagoas devem pressionar o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) a liberar os pagamentos atrasados e a assegurar a continuidade do programa no próximo ano.

Em Alagoas, o programa é mantido com recursos do PAA Leite do MDS e o do Governo do Estado (Fecoep/Secretaria de Agricultura). O estado, segundo informações dos produtores, vem mantendo os pagamentos em dia, mas os atrasos nos recursos federais, estão afetando principalmente os produtores.

Com o atraso de 2 meses e meio no pagamento aos agricultores familiares, existe risco de suspender o fornecimento do produto, que atende 80 mil famílias de todos os municípios de Alagoas.

A reunião foi convocada pelo coordenador da bancada federal, deputado Ronaldo Lessa, atendendo apelo dos presidente da CPLA, Aldemar Monteiro e da Cooperativa Pindorama, Klécio Santos, em nome de mais de 3 mil agricultores familiares.

O ministro do Turismo também deve participar do encontro. “Marx Beltrão tem ajudado muito a agricultura familiar de Alagoas e, com sua influência em Brasília, poderá dar mais uma vez sua contribuição, fazendo um apelo para que o ministro Osmar Terra (MDS) libere os recursos e evite a paralisação do programa em Alagoas”, aponta Monteiro.

Além de Ronaldo Lessa e Marx Beltrão, já confirmaram presenças na reunião os deputados Carimbão, Paulão, Pedro Vilela, JHC, Rosinha da Adefal, Nivaldo Albuquerque, Arthur Lira e Cícero Almeida. Os senadores Benedito de Lira, Renan Calheiros e Fernando Collor também são aguardados no encontro.

“Estamos convocando todos os deputados e senadores em defesa desse programa que não tem cor partidária e beneficia todos os alagoanos”, diz Klécio Santos.

Descrição do autor

Edivaldo Junior

Edivaldo Junior

Edivaldo Junior é jornalista, colunista da Gazeta de Alagoas e editor do caderno Gazeta Rural

Ainda não há comentários.

Participe da conversa