Padilha admite que votação da denúncia no plenário pode ficar para agosto

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, admitiu na manhã desta quinta-feira, 13, que a apreciação da denúncia de corrupção passiva contra o presidente Michel Temer pode ficar para agosto. “Pode ser agora, pode ser agosto, quem quer receber a denúncia que tem que colocar o quórum”, disse. “O problema de quórum não é nosso”.

Nesta manhã, aliados do presidente admitiram no Congresso que de que não haverá quórum de 342 deputados em plenário para votar a denúncia nos próximos dias como era intenção inicial do presidente Temer, que dizia que era preciso virar essa pagina o mais rápido possível. “(tínhamos a intenção de ser) o mais cedo possível e quem vai determinar isso é quem tem de colocar quórum e não somos nós”, afirmou Padilha.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que assume o mandato de Temer em caso de afastamento do presidente, tem indicado que concorda com o entendimento de que é preciso 342 presentes na sessão para começar os trabalhos e ressaltou nos últimos dias que colocaria o tema em votação com pelo menos 450 presentes na Casa.

Segundo Padilha, essa é a posição pessoal de Maia, que o governo tem que respeitar. “Nós temos de nos resignar com a posição dele, ele que comanda a pauta”, afirmou. Questionado se não haveria por parte do Executivo uma tentativa ao menos de diálogo para tentar convencer Maia a rever a posição, Padilha afirmou que “possivelmente haverá”.

O ministro da Casa Civil ressaltou ainda que o governo conta com uma “vitória magistral” para derrubar a denúncia na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Padilha negou ainda que o governo “ficará sangrando” até agosto caso a apreciação da denúncia seja mesmo adiada. “Estamos tendo vitórias. Ontem tivemos a questão da titulação (de terras), a reforma trabalhista. O governo está trabalhando e vai continuar”, afirmou.

‘Fuga’. O vice-líder do governo na Câmara, o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), acusou a oposição de autorizar que seus deputados viagem de volta aos Estados e esvaziar o quórum da Casa. “Temos a oposição que está fugindo do plenário”, criticou o governista. Perondi acusou os governistas de “fugirem do voto”. “A oposição está liberando seus deputados para ir embora. Aí não tem milagre”, reclamou.

Perondi disse que há divergência entre os técnicos se a sessão de análise da denúncia no plenário precisaria de 257 ou 342 presentes para ser iniciada. “Não está claro”, declarou.

O recesso começa na terça-feira, 18. Como muitos parlamentares têm viagem marcada para esse mês, a tendência natural é que eles comecem a deixar Brasília a partir de hoje. “Será na primeira semana de agosto, se a oposição quiser”, ironizou Perondi.

Estadão

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Redação

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