Renan se rebela contra Temer: rompimento pode mudar quadro político em AL

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) resolveu se antecipar e deixou, nesta quarta-feira, 28, a liderança do PMDB no Senado.

Em discurso no plenário, voltou a criticar o governo Temer e avisou que não tem “vocação para marionete”.

O rompimento do senador com Michel Temer, que agora deve ir para a oposição, terá, claro, reflexos na política em Alagoas.

Renan tende a se aproximar mais, no plano estadual, de forças contrárias a Temer. Aí estão o PT, de Paulão e o PDT de Ronaldo Lessa e o PSB de JHC.

Se Michel Temer conseguir se manter no governo até o próximo ano, a questão nacional tende, a partir de agora, a delinear as alianças no campo estadual.

Os partidos e grupos mais ligados a Michel Temer devem permanecer alinhados com o grupo do prefeito Rui Palmeira (onde já estão DEM, PR, PP e PSDB), enquanto as forças contrárias ao governo federal devem se alinhar ao grupo de Renan Calheiros.

A construção de uma terceira via na política alagoana, articulada pelo deputado federal JHC, também poderá ser fortalecida nesse processo.

Mas nada será decidido até que se tenha uma solução para a crise em Brasília.

Conhecido por “antecipar” movimentos na política, Renan Calheiros sinaliza, com sua renúncia á liderança, que o fim do governo está próximo.

Se estiver errado, perderá o que ainda tinha de influência no governo. Se estiver certo, sai fortalecido em Brasília e em Alagoas.

O UOL fez reportagem sobre o rompimento de Renan Calheiros com Michel Temer. Leia:

Renan renuncia à liderança do PMDB e diz que não será “marionete” do governo Temer

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) renunciou nesta quarta-feira (28) à liderança do PMDB no Senado. Em discurso no plenário, o político voltou a criticar o governo Temer, como vinha fazendo há semanas, e disse que não tem “vocação para marionete”.

“Deixo a liderança do PMDB” foi a primeira frase do senador. “Devolvo o honroso cargo que me confiaram. Procurei exercer [a liderança] com dignidade, sempre orientado pelos objetivos do país”.

Renan disse que renuncia por não compactuar com as ideias do governo e as reformas propostas pelo poder Executivo, especialmente a trabalhista. “Não odeio Michel Temer. Isso não é verdade. O que não tolero é sua posição covarde diante do desmonte da Consolidação das Leis do Trabalho [CLT]”.

“Não estou disposto a liderar o PMDB atuando contra os trabalhadores e estados mais pobres da Federação”, disse ele. “Não vou ceder a um governo que trata o partido como um departamento do poder Executivo (…). Não tenho a menor vocação para marionete. O governo não tem credibilidade para concluir essas reformas exageradas e desproporcionais”.

Em seu discurso, Renan Calheiros afirmou que sua renúncia o liberta de uma “âncora pesada e injusta”. “Me afasto para expressar meu pensamento e exercer minha função com total independência”.

Leia aqui, na íntegra:
https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2017/06/28/renan-lideranca-do-pmdb-no-senado.htm


Edivaldo Júnior

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Redação

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