Importação de etanol de milho ameaça produção nacional

A decisão da Câmara de Comércio Exterior (Camex), que autorizou a importação do álcool à base de milho dos Estados Unidos, mantendo em zero a alíquota referente a “álcool etílico” (etanol), foi considerada danosa à produção do biocombustível nacional, atingido, em especial, a região Nordeste.

Com a tarifa zerada em 2013, a indústria nacional lutava para a volta da taxação. Neste sentido, a indústria nordestina defendia o retorno da tarifa original de 20%, enquanto as regiões Sul e Sudeste pediam uma taxa de 16%. Por outro lado, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) emitiu uma nota técnica sugerindo taxação de 17%.

Para o setor sucroenergético, a concorrência desleal do etanol de milho vindo dos EUA afeta principalmente a região Nordeste, por onde entra o biocombustível importado.

De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Alagoas (Sindaçúcar-AL), Pedro Robério Nogueira, as importações do etanol ocorrem de forma acentuada, prejudicando a produção local.

“O etanol está penalizado. De um lado a redução do preço da gasolina, que reflete no biocombustível, e do outro lado o impacto das importações. Existe uma cruzada nacional contra a vinda do etanol importado que provoca a destruição da produção nacional pela queda de preço”, afirmou Nogueira.

Segundo o dirigente do setor sucroenergético alagoano, o preço do milho no mercado norte americano desabou, tornando o Brasil um mercado viável para o escoamento do produto.

“Além disso, o presidente Tramp não é mais um entusiasta do programa de biocombustíveis no país. Com isso, todo o milho vem sendo empurrado para o Brasil como um destino do produto, o etanol”, declarou.

Nogueira afirmou que, apesar da crise do grão no país, os Estados Unidos vem produzindo duas safras, por ano. “Isso só pode ser pensando no mercado brasileiro. Neste momento, vivemos um cenário preocupante”, afirmou.

Só entre janeiro e abril deste ano, o Brasil gastou, aproximadamente, R$1,2 bilhão para importar 787 milhões de etanol de milho dos Estados Unidos. Enquanto isso, no mesmo período de 2014, foram adquiridos 275 milhões de litros.

Apesar de poluente, o etanol de milho é subsidiado pelo governo americano, recebendo, por ano, US$19 bilhões.


Assessoria

Descrição do autor

Redação

Ainda não há comentários.

Participe da conversa