O caixa do estado apertou: “governador foi benevolente ao dar reajuste ao servidor”, diz Santoro

O secretário da Fazenda de Alagoas garante que não passam de especulações as “informações” sobre uma eventual folga de caixa no Estado: “já não estava fácil e agora com o reajuste concedido pelo governador Renan Filho a situação tende a apetar muito”, aponta.

George Santoro diz que a decisão de dar o reajuste integral da inflação para os servidores (6,29%) foi de Renan Filho: “o governador foi muito benevolente ao dar o reajuste dessa monta, num momento em que a crise tende a recrudescer”, pondera.

Levantamento feito pelas secretarias da Fazenda e de Planejamento e Gestão mostra que até agora apenas 2 estados brasileiros anunciaram reajuste para os servidores públicos este ano – Alagoas e Ceará.

“Até o momento, pelo menos 23 dos 27 estados já disseram que não vão dar reajuste geral para o servidor. Fora Alagoas, só o Ceará anunciou um aumento, ao que parece, de 2% apenas. Pelo que sabemos nenhum outro estado vai sequer chegar a metade o percentual dado por Alagoas”, afirma Santoro.

A equipe técnica, revela o secretário da Fazenda, apresentou vários estudos a Renan Filho, sugerindo inclusive percentuais menores de reajuste: “o governador preferiu dar a reposição total da inflação. Por isso, teremos de fazer um grande esforço no controle de gastos”, afirma.

Na situação atual, Santoro acredita que fica difícil atender outras demandas salariais. Existem, atualmente, como se sabe, pressão por novos reajustes entre militares, delegados da Polícia Civil e fiscais de tributos, entre outras categorias.

“Qualquer outro aumento de gastos com pessoal pode comprometer a capacidade do estado de fazer investimentos e melhorias em áreas como saúde, segurança e educação”, alerta o secretário da Fazenda.

Sob Pressão

Santoro reconhece que a pressão por aumentos salariais continua. É o caso dos fiscais de tributos, delegados de política e militares. Essas categorias, embora ganhem acima da média, tem se mobilizado em busca de reajustes, alegando perdas do passado. “A pressão é muito forte, mas não vejo como ir além dos 6,29%. O governador foi muito benevolente ao dar esse reajuste, num momento em que nenhum outro estado chegou sequer a metade disso”, emenda.

Reforço de caixa

O governador Renan Filho definiu como estratégia ampliar os investimentos realizados pelo estado na realização em obras consideradas estruturantes.

Em 2016 os investimentos com recursos próprios somaram cerca de R$ 600 milhões. Para 2017 e 2018 o objetivo é dobrar esses valores.

Para avançar nos investimentos, Alagoas deve recorrer a empréstimos que estão sendo negociados com bancos nacionais, de cerca de R$ 620 milhões. As operações, dentro da capacidade de endividamento de Alagoas e autorizadas por instituições financeiras do governo federal, devem ser concluídas no começo da semana.

Para concretizar a operação, falta apenas o sim do governador. A Secretaria da Fazenda, no entanto, só vai revelar nome do banco, valor final negociado e outros detalhes depois da decisão de Renan Filho.

A busca por empréstimos para assegurar novos investimentos, aponta George Santoro, mostra que o estado não tem folga de caixa, ao contrário do que alguns imaginam: “após o reajuste dos servidores, a situação financeira fica dentro do limite. Não tem como gerar novas despesas”, aponta.


Edivaldo Júnior

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Redação

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