Mercado de capitais não vai crescer se BNDES continuar a dar crédito subsidiado, diz presidente da CVM

O desenvolvimento do mercado de capitais no Brasil passa por uma reestruturação dos modelos de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), afirmou nesta quarta-feira (21) o presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Leonardo Pereira.

“Não adianta querer ter um mercado de capitais grande se tem um banco de desenvolvimento e dando dinheiro subsidiado a quem não precisa de dinheiro subsidiado”, disse o executivo durante o 19º Encontro Internacional com Investidores e Mercado de Capitais, em São Paulo.

Durante o evento, o presidente da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca), Alfried Ploger, destacou outros pontos que inibem as empresas de buscarem captar recursos em bolsa no Brasil, como a alta taxa de juros (que afasta os investimentos em renda variável), os altos custos de manter uma empresa aberta no mercado de capitais, o que chamou de excesso de regulamentação.

“Não é de se estranhar que entre 16 milhões de empresas no país, segundo o IBGE, 350 são de capital aberto”, afirmou.
Ele disse que a exigência de que as companhias abertas publiquem suas demonstrações financeiras em imprensa é um dos fatores “mais onerosos” e defendeu a criação de uma central de balanços.

Economia instável

Gilson Finkelsztain, presidente da B3, a bolsa de valores brasileira, concordou que os juros são um desafio e disse que para o mercado de capitais se desenvolver é necessária a estabilidade econômica.

“Estamos claramente passando por um período de instabilidade, mas enxergamos que estamos numa ponte, numa travessia [para um cenário melhor]”, afirmou.
Finkelsztain ressaltou as trajetórias de queda da inflação e da taxa Selic, reforçando que o país deve ter ao fim deste ano ou início do próximo a menor taxa de juros real da história recente.
Ele lembrou que 2017 ano está sendo o melhor dos últimos cinco anos para o mercado de capitais, com 3 empresas fazendo oferta primária de ações na bolsa (IPOs, na sigla em inglês) e outros pedidos protocolados.
“Mesmo com essa instabilidade política ninguém desistiu”, disse. “O Brasil não está parado. Obviamente a economia real está em dificuldade, mas o mercado financeiro está mostrando que há esperança”.

Pereira, da CVM, concordou. “Entramos num túnel meio ingrato, mas temos a oportunidade de sair melhor [da crise]”, disse, emendando que há “uma série de empresas” se preparando para se lançar em bolsa.

G1

Descrição do autor

Redação

Ainda não há comentários.

Participe da conversa