A prefeitura de Maceió não quer ou não pode dar reajuste aos servidores?

Duas versões, um mesmo problema: o reajuste anual dos vencimentos para 19 mil servidores ativos e inativos do município de Maceió.

A prefeitura diz que não “pode” dar o aumento agora. Os servidores dizem que o prefeito não “quer” reajustar os salários.

Afinal, quem está com a razão?

Depois da reunião, na segunda-feira, 5, com o prefeito Rui Palmeira, o presidente do Sindicato de Servidores da Prefeitura de Maceió e da região Metropolitana (Sindpref), Sideny Lopes, declarou que os números aos quais teve acesso apontam para a possibilidade de um reajuste de 6,29% (IPCA de 2016).

Ainda, segundo a versão dos sindicatos, o prefeito anunciou que não tem condições de dar o reajuste por conta da conjuntura nacional, a incerteza econômica e o estrangulamento das contas.

Em declaração ao Gazetaweb, Sidney sinalizou para a greve: “Fomos enrolados. No início do ano, o prefeito pediu um período de quatro meses para que uma proposta fosse elaborada e, então, seria apresentada aos servidores. Passado esse tempo, nos reunimos e o informado é de que o reajuste é de zero porcento. De pronto já rejeitamos e, agora, vamos levar para assembleia”.

Outro lado

A prefeitura de Maceió, segundo versão do secretário Municipal de Economia (ex-Secretaria de Finanças) – não ofereceu reajuste de “0%”.

“Na verdade, o que dissemos é que não poderíamos dar a resposta nesse momento e pedimos mais tempo, para ver o comportamento da receita. Se fosse para dar a resposta agora, mostramos os números que revelam a incapacidade do município em conceder o reajuste”, aponta Fellipe Mamede.

O secretário apela para o bom senso dos servidores, que ensaiam uma paralisação a partir de assembleia convocada para a próxima sexta-feira: “fazer greve não vai resolver o problema. Ao contrário do que dizem alguns representantes dos servidores, hoje os gastos da prefeitura com pessoal já ultrapassam o limite prudencial da LRF. Pedimos para discutir a questão, mais a frente, quando esperamos que a situação financeira melhore. Acredito que o momento, com o agravamento da crise, pede bom senso de todos”.

A folha do município, segundo dados do secretário, hoje é de R$ 95 milhões, considerando a diferença de cerca de R$ 5 milhões que a prefeitura repassa para complementar os pagamentos aos inativos do Iprev: “os sindicatos estão se referindo a um valor de R$ 90 milhões, porque não estão incluido o repasse para o Iprev. Com essa diferença, o limite da LRF fica todo comprometido”, aponta.

Números

Quando salários estão em jogo, as emoções predominam. Afinal, é o bolso falando mais alto.Para acabar com a “guerra” de versões, há uma saída: apresentar todos os dados de receitas e despesas do município. Com os números abertos para todos os servidores e para a sociedade, será fácil deduzir se a prefeitura de Maceió não “pode” ou não “quer” dar o reajuste.

Mas vai aí uma boa pista: até agora nenhuma prefeitura de capital deu ou vai dar reajuste para o funcionalismo este ano.

Outra questão importante: governadores e prefeitos da maioria dos estados e municípios do país estão mais cautelosos com os gastos. Ninguém quer aumentar nenhuma despesa até que o destino do presidente Michel Temer esteja selado. Se ele fica ou se sai, o impacto será grande na economia e também, é claro, no caixa de municípios e estados.


Blog Edivaldo Júnior

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