Quatro deputados federais e um senador de Alagoas pedem saída de Temer

A essa altura a dúvida não é se Michel Temer vai deixar a presidência, mas quando ele vai deixar o cargo – seja por vontade própria ou não.

Na contramão das da crise, Michel Temer tenta se segurar, mas a renúncia do presidente Michel Temer foi intensamente discutida durante o final de semana em conversas que envolveram os principais caciques dos partidos que ainda sustentam o governo no Congresso.

Segundo a Equilibre Análises, que faz monitoramento de tendências no Congresso Nacional, a base do governo está em busca de um nome de consenso para substituir Michel Temer.

Um importante líder, que esteve no centro da articulação, segundo fontes, foi taxativo: ‘Ele não pode renunciar sem que a política tenha um nome de consenso’. A avaliação majoritária é de que a centro-direita precisa urgentemente de um nome para a eleição indireta a fim de minimizar o crescimento dos decibéis das ruas em torno das diretas”, avalia a Equilibre (http://equilibreanalises.com.br/analises/2017/05/22/chegada-nome-consenso-passa-solucao-aecio-temer).

Em meio a esse cenário de incertezas, a bancada federal de Alagoas ainda está longe do consenso em torno do que acontecerá com o governo de Michel Temer após a delação da JBS. A maioria, no entanto acredita no fim do governo, seja pela renúncia, cassação da chapa no TSE, condenação no STF ou impeachment.

Se Temer deixar o governo, a eleição de um novo presidente deverá ser feita de forma indireta (como prevê a Constituição) defende o coordenador da bancada, deputado federal Ronaldo Lessa (PDT). O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, também defende uma eleição indireta agora e a convocação de uma nova Constituinte para 2018.

Os deputados Paulão (PT) e Givaldo Carimbão (PHS) querem a saída imediata de Michel Temer e defendem a convocação de eleições diretas para a escolha do substituto do atual presidente.

Já o deputado federal JHC (PSB), embora defenda eleições diretas, avalia que a escolha será indireta, em função da posição da maioria no Congresso Nacional.

Saída constitucional

O senador Fernando Collor (PTC) defende uma apuração rigorosa das denúncias e aposta numa saída pela Constituição: “O Brasil é muito maior do que essa crise. O povo saberá compreender os caminhos necessários e devidos que se encontram na Constituição. Há pouco, tivemos uma crise e estamos nos recuperando dela. Temos outra crise. Talvez seja a hora de realizar uma profunda reforma política, dando ao brasileiro um caminho de esperança e atendimento das melhores expectativas que o povo espera e deseja ter”.

A solução não pode demorar

O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, defendeu, a realização de uma eleição indireta, rapidamente e apontou, entre os nomes que podem suceder Temer a presidente do STF, Carmem Lúcia, o ministro Gilmar Mendes, o presidente do Senado, Eunício Oliveira, o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia e a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO).

Ministros de Alagoas defendem permanência de Temer

Da bancada federal de Alagoas apenas dois deputados – os ministros do Turismo e Transportes, que estão afastados do mandato – defendem publicamente a permanência de Temer. “Temos a clareza de que o presidente Michel Temer não obstruiu a Justiça. A base do governo manifestou apoio ao presidente e irá manter a agenda de votações no Congresso Nacional. O que pode acontecer é apenas um atraso na apreciação das reformas”, diz Maurício Quintella.

Em mensagens nas redes sociais, Marx Beltrão diz que o Brasil tem instituições sólidas e maturidade suficiente para enfrentar os problemas e sair mais forte deste momento. “A economia brasileira já começou a dar os primeiros sinais de recuperação e precisamos ter sabedoria para manter a trajetória de crescimento. Grandes nações mundiais já passaram por turbulências político-institucionais e souberam superá-las. Agora, o que o país menos precisa é da hipocrisia de políticos cujo discurso não condiz com a prática”, diz o ministro.

O que eles pensam?

Os outros representantes de Alagoas no Congresso Nacional ainda não se posicionaram sobre a permanência ou saída de Michel Temer. São eles o senador Bendito de Lira (PP), os deputados federais Arthur Lira (PP), Cícero Almeida (PMDB), Rosinha da Adefal (PTdoB) e Nivaldo Albuquerque (PRP) que integram a base do governo no Congresso Nacional. O deputado federal Pedro Vilela (PSDB), também da base do governo, defende a apuração dos fatos e espera uma decisão de seu partido. O blog – e todos os alagoanos – gostaria de saber o que todos esses parlamentares pensam sobre a crise provocada pela delação da JBS.

Descrição do autor

Edivaldo Junior

Edivaldo Junior

Edivaldo Junior é jornalista, colunista da Gazeta de Alagoas e editor do caderno Gazeta Rural

Ainda não há comentários.

Participe da conversa