Ação da JBS cai quase 20%; Bovespa volta a recuar nesta segunda

A Bovespa opera em queda segunda-feira (22) em queda, com as ações da JBS se destacando entre as maiores perdas do dia, ainda repercutindo a crise política desencadeada pelas delações de dirigentes da JBS que atingiram o presidente da República, Michel Temer.

Às 12h24, o Ibovespa, principal indicador da bolsa, caía 2,71%, aos 60.924 pontos. Veja a cotação.

Perto do mesmo horário, as ações da JBS lideravam as perdas, caindo 19,98%. Segundo a Reuters, apenas na primeira hora de pregão a empresa já havia perdido cerca de R$ 3 bilhões em valor de mercado.

A agência de risco Moody’s decidiu nesta segunda cortar o rating da empresa e de sua subsidiária nos Estados Unidos. A nota da JBS foi reduzida para ‘Ba3’ ante ‘Ba2’, enquanto a dívida garantida da JBS USA teve a nota cortada para ‘Ba2’ ante ‘Ba1.
Antes disso, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já havia aberto cinco processos administrativos contra a empresa na semana para investigar supostas irregularidades como o uso de informações privilegiadas em negociações de dólar futuro e ações.

CVM abre cinco processos para investigar operações da JBS

As ações da Petrobras também têm dia de baixa, de olho no cenário político, apesar da alta nos preços do petróleo. Perto do mesmo horário, a empresa perdia mais de 1% nas ações ordinárias (que dão ao acionista direito a voto em assembleias da empresa) e mais de 3% nas preferenciais (com preferência na distribuição de dividendos).
Os papéis do Bradesco e do Itaú Unibanco, com peso importante na composição do Ibovespa, também operavam no vermelho.
Na outra ponta, a BRF se destacava entre os maiores ganhos do dia, subindo perto de 4%. Também entre as altas, Vale subia, em dia de alta nos preços do minério na China.

Crise política

Nesta semana, o mercado aguarda decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na quarta-feira (24) sobre o pedido de Temer para suspender o inquérito contra ele.
“Apesar da calmaria no relatório Focus, o mercado ainda anda apreensivo com o rumo do caso Temer”, disse ao G1 o economista Alexandre Cabral. “Todos estão esperando o julgamento no plenário do STF do pedido de Temer para suspender o inquérito. Será uma semana de muita volatilidade no mercado financeiro.”
No boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda, a expectativa dos economistas para o dólar no fim do ano recuou de R$ 3,25 para R$ 3,23. As previsões para inflação baixaram de 3,93% para 3,92%. Já as estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) se mantiveram estáveis.

De olho nas reformas

Jason Vieira, economista chefe da Infinity Asset, diz que o mercado segue monitorando o rumo das reformas econômicas no Congresso em meio à crise política, especialmente a trabalhista e a da Previdência. “A volatilidade reflete o cenário de incertezas, a falta de um contexto que indique o que vai acontecer em termos de votação. Isso é mais importante que a manutenção ou não do presidente”. Segundo Vieira, o mercado “vai andar mais ou menos no mesmo rumo” até que o Congresso indique o rumo da votação das reformas.

A crise política gerada pelas delações dos empresários Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, ameaça paralisar os trabalhos previstos para esta semana no Congresso Nacional, onde a oposição passou a liderar um movimento a favor do impeachment de Temer. Além disso, segundo o colunista do G1 Gerson Camarotti, os articuladores políticos do governo foram avisados que parte da base aliada quer a renúncia do presidente.

Tombo na semana passada

Na semana passada, a Bovespa caiu 8,2%, em semana de pânico nos mercados, repercutindo notícia publicada no jornal O Globo de que o dono da empresa JBS gravou o presidente da república, Michel Temer, dando aval para comprar silêncio do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha. O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou abertura de investigação contra Temer.

A Bovespa fechou em alta de 1,69% na sexta-feira (19), recuperando parte das perdas da véspera, quando a bolsa registrou sua maior queda diária desde 2008, caindo 8,8%.


G1

Descrição do autor

Redação

Ainda não há comentários.

Participe da conversa