Para conter Renan, Temer tira poderes de Maurício Quintella no Ministério dos Transportes

O ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintella, perdeu o comando de um pedaço importante de seu Ministério. Para tentar conter aliados no Senado – especialmente o senador Renan Calheiros, líder do PMDB – o presidente Michel Temer criou a Secretaria dos Portos e nomeou para comandar o novo órgão Luiz Otávio Campos. A nomeação foi publicada no último dia 18 deste mês.

Na nova estrutura, o secretário dos Porto não vai mais precisar se reportar ao ministro. Campos, que não fala com Quintella, era assessor especial do Ministério e atuava na área dos Portos, até ser demitido pelo ministro em fevereiro deste ano. A sua demissão teria irritado não só o senador Renan Calheiros, mas principalmente o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) e o ministro da Integração Nacional, Helder Barbalho, a quem Luiz Otávio é ligado politicamente.

Os bastidores da nomeação de Luiz Otávio foram revelados pelo jornal Estadão. Segundo a reportagem, “auxiliares de Temer disseram ao Estado que o ex-senador não precisará se reportar a Quintella. O ministro ficou inconformado e a situação tem todos os ingredientes para provocar mais um mal-estar no governo”.

Ao Estadão, Renan Calheiros disse que não pediu nenhum cargo: “O PMDB se sente fora do governo, mas eu, pessoalmente, não quero cargo nenhum. Seria o meu completo esvaziamento na bancada. O que não podemos deixar de constatar é que há uma dificuldade nessa coalizão, na qual os partidos menores ocupam os maiores espaços.”

Veja a reportagem do Estado

Temer nomeia aliado de Renan para a Secretaria dos PortosAo indicar ex-senador Luiz Otávio

Campos, presidente tenta contemplar líder do partido no Senado, que vinha criticando o governo abertamente

BRASÍLIA – Na tentativa de conter a rebeldia do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL) e unificar o partido, o presidente Michel Temer nomeou para a Secretaria dos Portos o ex-senador Luiz Otávio Campos, um dos alvos da Operação Leviatã, desdobramento da Lava Jato. Campos é ligado ao senador Jader Barbalho (PA) e também a Renan, de acordo com informações obtidas no Palácio do Planalto.

O novo secretário dos Portos era assessor especial do Ministério dos Transportes, comandado por Maurício Quintella (PR), mas foi demitido por ele em fevereiro. A dispensa ocorreu após a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão nas casas e escritórios dos acusados de receber propina na construção da hidrelétrica de Belo Monte (PA), entre os quais Campos, o senador Edison Lobão (PMDB-MA) e o filho dele, Márcio.

Renan ficou furioso com a atitude de Quintella, seu adversário político. Jader e seu filho Hélder Barbalho, ministro da Integração Nacional, também não esconderam a insatisfação e chegaram a reclamar com Temer.

Na prática, o novo secretário dos Portos virou o símbolo da disputa por cargos e prestígio político entre o PMDB do Senado, liderado por Renan, e o PR de Quintella. Agora, porém, Temer decidiu arbitrar o conflito, fazendo um gesto para acalmar o líder do PMDB, que até há poucos dias não parava de criticar a reforma da Previdência, as mudanças trabalhistas e os rumos da economia, sob o argumento de que o governo pecava por “improvisação”.

Temer editou um decreto, na semana passada, criando a estrutura do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil. Nela foi formalizada a Secretaria dos Portos, que havia deixado de existir com a reforma administrativa. A pasta administrará este ano uma carteira de contratos que movimentará R$ 1,4 bilhão de investimentos.

Ao montar a nova estrutura, o presidente nomeou Campos para o posto de secretário. Auxiliares de Temer disseram ao Estado que o ex-senador não precisará se reportar a Quintella. O ministro ficou inconformado e a situação tem todos os ingredientes para provocar mais um mal-estar no governo.

Campos era secretário executivo de Hélder em Portos no fim do governo da então presidente Dilma Rousseff. Quando Temer assumiu, em maio do ano passado, Hélder foi nomeado para Integração Nacional e a Secretaria dos Portos, que tinha status de ministério, foi incorporada a Transportes.

Apesar da resistência de Quintella, Hélder conseguiu que Campos fosse mantido na área de portos. O ex-senador estava formalmente contratado como assessor especial porque o cargo de secretário não existia formalmente. Em fevereiro, após a operação Leviatã, foi exonerado. Ele e Quintella não se falavam.

O presidente cogitou a possibilidade de recriar o Ministério dos Portos para agradar a Renan. O líder do PMDB desdenhou da oferta. “O PMDB se sente fora do governo, mas eu, pessoalmente, não quero cargo nenhum. Seria o meu completo esvaziamento na bancada”, disse Renan ao Estado, no mês passado. “O que não podemos deixar de constatar é que há uma dificuldade nessa coalizão, na qual os partidos menores ocupam os maiores espaços.”

Quintella quer concorrer a uma cadeira no Senado, em 2018, enfrentando Renan, que disputará a reeleição. Tanto o líder do PMDB quanto o governador de Alagoas, Renan Filho, foram citados nas delações de ex-executivos da Odebrecht e estão com dificuldades na campanha. Irritado com Temer, o senador chegou até mesmo a articular uma aproximação com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Leia aqui, na íntegra:

http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,temer-nomeia-aliado-de-renan-para-a-secretaria-dos-portos,70001743543

Descrição do autor

Edivaldo Junior

Edivaldo Junior

Edivaldo Junior é jornalista, colunista da Gazeta de Alagoas e editor do caderno Gazeta Rural

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