Por que a imprensa não mostra o HGE de corredor vazio?

O secretário estadual da Saúde, Christian Teixeira, divulgou durante esta semana foto de sua autoria mostrando uma cena pouco comum: os corredores do Hospital Geral do Estado vazios – literalmente: “Em pouco mais de 2 meses nossa gestão já apresenta resultados positivos. Essa foto acabei de registrar agora à noite no HGE. Pena que a imprensa não gosta de divulgar resultados positivos. Vamos seguir em frente dando resposta às críticas com muito trabalho”.

Não é só Christian Teixeira quem “cutuca” a imprensa por mostrar preferencialmente o lado negativo.

Em entrevista, na segunda-feira, no Conversa de Botequim, Renan Filho também registrou sentimento semelhante: “vocês viram aquele acidente com os dois ônibus? Todas as pessoas foram atendidas na Unidade de Emergência do Agreste. Tudo funcionou dentro do esperado e por isso o trabalho não virou notícia. Como não faltou nada, como todo mundo foi cuidado, não apareceu em nenhum lugar. Quero dar parabéns a diretora, ao secretário, aos médicos as enfermeiras, a sociedade. O positivo a gente tem que falar”.

Outro lado

A foto de Christian Teixeira foi feita apenas alguns dias depois da visita de inspeção do Conselho Estadual de Saúde (CES), realizada no Hospital Geral do Estado (HGE) no último dia 4 de abril.

O conselho constatou irregularidades , como a falta de medicamentos e pacientes espalhados pelos corredores do hospital.

Segundo o presidente do CES, Jesonio da Silva, as principais irregularidades encontradas foram a superlotação de pacientes e a falta de alguns medicamentos. “Em se tratando do HGE, um problema que existe há muito tempo é a superlotação de pacientes. Além disso, constatamos que alguns medicamentos estão em falta e que alguns equipamentos estão sem manutenção, como as máquinas de oxigênio” afirmou.

É bom ou ruim?

Ver pacientes espalhados pelos corredores do HGE é realmente uma imagem deprimente. Pior, no entanto, seria o não atendimento.

Sem HGE, a maioria desses pacientes não seria atendida em outro hospital de Maceió. A capital de Alagoas tem, entre todas do Nordeste, a menor oferta de leitos públicos.

Esse é um tema do qual nenhum governante poderia ou deveria fugir. Na entrevista do Conversa de Botequim, na segunda-feira, 10, Renan Filho também falou sobre o HGE e admitiu que a maior dificuldade é a baixa oferta de leitos em hospitais públicos em Maceió.

“Aracaju é uma cidade de 600 mil habitantes e lá tem 900 leitos públicos, enquanto Maceió tem 1 milhão de habitantes e tem 600 leitos. João Pessoa (720 mil habitantes), tem 1,6 mil leitos públicos. E essas cidades também não têm a saúde que deveriam ter. A única capital do Nordeste que não tem hospital próprio da prefeitura é Maceió. O estado tem feito seu papel, o que prometi na campanha… o hospital da mulher, o metropolitano. Vamos virar essa página do descaso histórico na saúde”, disse o governador.

O que Renan Filho promete fazer para mudar isso? “Vamos entregar nos próximos 300 novos leitos em Maceió, o que vai ajudar a reduzir um déficit histórico. Há mais de 40 anos não se faziam investimentos na construção de novos hospitais públicos na capital”, aponta.

Falta agora a prefeitura de Maceió se pronunciar.

Qual a melhor foto?

As duas imagens são verdadeiras. A da visita do CES e a do secretário. Momentos diferentes de um só lugar e um só desejo: que a saúde pública melhore. E logo!

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Recebi da Secom/AL, após a postagem do texto, foto do mesmo corredor inspecionado pelo CES.

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Descrição do autor

Edivaldo Junior

Edivaldo Junior

Edivaldo Junior é jornalista, colunista da Gazeta de Alagoas e editor do caderno Gazeta Rural

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