OAS e Odebrecht fraudaram licitação do Canal do Sertão, revela delator

Entre propina, caixa 2 e doações legais relatadas por delatores da Odebrecht em Alagoas, um detalhe importante foi revelado nos depoimentos prestados por executivos da empresa ao Ministério Público Federal: um “acordo de mercado” para direcionamento da licitação dos lotes 3 e 4 da obra do Canal do Sertão para as construtores OAS e Odebrecht.

A fraude foi revelada em depoimento de Fabiano Munhoz, que era à época diretor de contratos da Odebrecht. O depoimento dele e de outros executivos resultou na abertura de inquérito pelo STF, em que serão investigados o senador Renan Calheiros, o governador Renan Filho e o senador Fernando Bezerra, entre outros.

Leia trecho da delação de Munhoz ao MPF:

“O colaborador FABIANO MUNHOZ, então Diretor de Contratos da ODEBRECHT, especificamente do contrato da obra canal do sertão alagoano, descreveu no seu Termo de Depoimento nº 1 as tratativas levadas a termo, em 2009/2010, com RICARDO ARAGÃO, interlocutor do Secretário de Infraestrutura do Estado de Alagoas, com representantes da construtora OAS e da empresa Cohidro, responsável pelo projeto da obra, para direcionamento da licitação dos lotes 3 e 4 para a OAS e ODEBRECHT, respectivamente, visando a um acordo de mercado entre as empresas”.

A construtora Queiroz Galvão também teria participado do acerto, segundo depoimento de outro colaborador: “A respeito destes mesmos fatos, têm-se os Termos de Depoimento no 1 e 2 do colaborador ARIEL PARENTE, que sucedeu FABIANO MUNHOZ na Diretoria do Contrato da obra canal do sertão alagoano. Nesse caso, houve menção também a participação da empresa QUEIROZ GALVÃO no acordo em alguma medida. Além disso, o colaborador descreveu que houve solicitação do pagamento de propina por parte de diversos agentes públicos estaduais à época ligados à Secretaria de Infraestrutura de Alagoas”.

No período de 2013 a 2016, a Odebrecht e OAS receberam os seguintes valores referentes à obra canal do sertão alagoano:

a) ODEBRECHT – R$ 280.985.834,22 (Relatório de Pesquisa da SPEA n. 827/2016);

b) OAS – R$ 647.539.745,21 (Relatório de Pesquisa da SPEA n.826/2016);

Leia aqui, o pedido de abertura de inquérito do MPF, na íntegra: http://lavajato.mpf.mp.br/atuacao-no-stj-e-no-stf/peticoes/no-stf/docs/CanaldoSertoN543162017INQ.pdf

Descrição do autor

Edivaldo Junior

Edivaldo Junior

Edivaldo Junior é jornalista, colunista da Gazeta de Alagoas e editor do caderno Gazeta Rural

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