Pescadores de Mel celebram Dia do Apicultor e 10 anos de atuação

Projeto tem servido como meio de inclusão social para pescadores e catadores de caranguejo nas lagoas Mundaú e Manguaba

A apicultura é uma das atividades que mais se desenvolveu em Alagoas nos últimos anos. Através dela, foi aberta uma possibilidade para milhares de pessoas, que é a conquista de uma profissão  e  além de gerar emprego e renda, ainda contribui para a  relação do homem com a natureza: o ofício de apicultor, o criador de abelhas, que tem o dia 22 de maio como data de celebração. Dentre as principais ações para fomentar a iniciativa no estado, está o Projeto Pescadores de Mel, que este ano completa uma década de existência.

O projeto foi criado pela União dos Produtores de Própolis Vermelha do Estado de Alagoas (Uniprópolis), com o patrocínio da Braskem e Petrobras, para permitir  que as famílias de pescadores do Complexo Estuarino Lagunar Mundaú-Manguaba (CELMM) pudessem ter uma nova fonte de renda, em especial na época do defeso, quando a pesca é vetada, em virtude do período para reprodução dos peixes e mariscos.

A área, formada pelos municípios de Barra de São Miguel, Coqueiro Seco, Maceió e Marechal Deodoro, já contava ,naturalmente, com uma grande quantidade de abelhas nativas  e tinha, por isso, boas condições para sua criação em cativeiro. Porém o projeto ganhou mais visibilidade quando pesquisadores descobriram que a Própolis Vermelha de Alagoas, produzida naqueles manguezais, é um produto único no mundo, ao ponto de receber o registro de Indicação Geográfica concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Indústria (INPI).

De acordo com Mário Calheiros, coordenador do Pescadores de Mel e da Estação Ambiental Cinturão Verde da Braskem, a descoberta foi o ponto de partida para ajudar a resolver o problema da falta de renda dos pescadores e catadores de caranguejo na época do defeso, com novas demandas de extração de própolis e mel.

“A população da região das lagoas conta com pouca assistência e têm muita gente que vive abaixo da linha de pobreza. A atividade mais exercida ali é a pesca. Percebemos que aquela era uma oportunidade de capacitar os pescadores para torná-los apicultores, cidadãos e empreendedores através do projeto que é socialmente justo”, apontou Mário Calheiros.

Foi aí que a Estação Ambiental Cinturão Verde da Braskem, no bairro do Pontal da Barra, em Maceió, passou a sediar a Uniprópolis e ganhou um Apiário-Escola, com o intuito de capacitar e certificar novos apicultores para o manejo técnico na apicultura e garantir que os participantes tivessem assistência técnica adequada.

Um dos produtores apoiados ao longo desses dez anos de existência do projeto foi Edvan Morais, que teve a vida transformada após participar do Pescadores de Mel e das capacitações na Estação Ambiental Cinturão Verde. De pescador e catador de caranguejo, Edvan passou a ser funcionário público e apicultor, contando com uma renda extra mensal média de um salário mínimo.

“Quando conheci a apicultura, abri os meus olhos para a preservação da natureza e para a vida. Hoje sei que tudo no meio ambiente tem a sua função, cada planta, cada inseto, cada abelha. Graças à apicultura, conheci outros estados do Brasil, novas pessoas, ver o mundo de outra forma. Tive a oportunidade de estudar, prestar concurso público e passar. Agora sou funcionário público, pesco para consumo próprio e ainda me dedico à apicultura. Sou grato ao projeto por ter me dado essa chance”, concluiu Edvan.

Atualmente, o Projeto Pescadores de Mel conta com 140 produtores associados, que atuam como fornecedores de mel e derivados para dez micro e pequenas empresas apícolas na região das lagoas.

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