Produtor deixa de usar agrotóxicos e recupera solo da propriedade

Luiz Cristovão Alves é um produtor rural orgulhoso do seu trabalho. Para ter essa certeza, ele já exerceu outras atividades em alguns estados do Brasil. Nascido no Ceará, onde trabalhou com agricultura, foi para o interior de São Paulo e abriu um bar na cidade de Embu das Artes. Quando o negócio teve uma grande baixa, a esposa o convenceu a vir para Alagoas, terra natal dela.

Em Limoeiro de Anadia, cidade onde se estabeleceu com a família, o produtor teve a oportunidade de voltar a trabalhar com o que gosta de verdade. Enquanto isso, os filhos também encontraram ofícios na região, um deles é frentista, outro é cantor e o terceiro comercializa sobremesas.

De acordo com Luiz Cristovão, o trabalho manual é todo com ele, que comanda sozinho a produção, apesar disso, faz tudo com muito orgulho e não se vê em outro lugar. “Só eu pego no pesado de verdade, mas gosto muito, não vivo sem isso, só saio daqui quando for para o cemitério. Minha vida é essa, no campo”, afirma.

Mesmo com muita vontade, o produtor rural esbarrou na falta de conhecimento técnico. Assim, fez uso indiscriminado de agrotóxicos e danificou o solo da propriedade. Ele perdeu toda produção e teve que trabalhar no sítio de outra pessoa. Quando começou a receber atendimento do Arranjo Produtivo Local (APL) Horticultura no Agreste esta realidade mudou completamente.

“Nunca pensei em sair do meu sítio, mas no ano passado não teve jeito. Estava com a praga muito forte, usei o agrotóxico e ainda assim não consegui resolver o problema. Gastei mais ou menos R$ 3 mil em veneno. Foi um problema muito grande. Com ajuda do APL, aprendi técnicas como o Bokashi, para adubação, e hoje não gasto nada para proteger minhas hortaliças”, conta.

O bokashi consiste na mistura de farelos obtidos do processo de trituração e tortas – produto extraído da prensa de sementes -, com matérias-primas encontradas na região onde ficam as propriedades dos agricultores. O modelo é puramente orgânico e possui qualidades semelhantes à adubação química, mas sem nenhum prejuízo aos produtos e aos consumidores.

Hoje, Luiz Cristovão distribui o adubo natural com outras pessoas da região. Como a produção desse material já se tornou um hábito, pois a matéria-prima é cultivada na propriedade, ele armazena tudo em tonéis e quando alguém precisa, fornece a quantidade necessária, além de fazer o uso nas próprias hortaliças.

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Redação

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