Peixamento da Codevasf reforça culturas agrícolas em AL

O cultivo consorciado de peixe, arroz e policulturas agrícolas tem se tornando uma boa alternativa para agricultores familiares do Baixo São Francisco, especialmente pelo uso múltiplo da água – usada tanto para piscicultura quanto para irrigação.

Um grupo de agricultores e piscicultores familiares do projeto Santa Eliza, mantido pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) em Penedo (AL), acaba de receber cerca de 26 mil alevinos, inseridos nos viveiros escavados mantidos no local, o que vai fortalecer a policultura consorciada no projeto – que fica ao lado do perímetro Boacica.

Com a ação, os integrantes da Associação dos Trabalhadores Rurais do Marizeiro (Astra), que reúne 25 famílias, pretendem incrementar o cultivo de curimatã-pacu e de tambaqui já realizado no projeto em consórcio com a produção de arroz, tradicional na região, de hortaliças e de outras culturas.

Segundo o presidente da Astra, Arivaldo da Anunciação, o arroz cultivado no Santa Eliza é a principal cultura do projeto, e é realizado em consórcio com outros cultivos, como os peixes cultivados em três viveiros escavados, e a policultura realizada em áreas circunvizinhas às culturas principais.

“Depois que a Codevasf desapropriou essas terras e repassou para os agricultores que trabalhavam em terras de terceiros, a renda de nossa comunidade melhorou bastante. Aqui no projeto nós cultivamos arroz na várzea, e na policultura cultivamos inhame, mandioca e macaxeira para consumo das famílias. A piscicultura veio como complemento para melhorar a renda familiar dos agricultores e também como alimento, assim como os produtos da policultura”, explicou.

Ela destacou ainda o uso múltiplo da água dos viveiros. “Temos uma grande vantagem no uso da água dos três viveiros, que serve tanto para o cultivo de peixes, quanto para irrigar nossos lotes. Esses cultivos consorciados têm permitido a sobrevivência das famílias do Santa Eliza, que conseguem tirar daqui sua renda”, apontou o presidente da associação.

Nilson Damião é um dos agricultores e piscicultores familiares do projeto Santa Elisa. Assim como os mais jovens que trabalham no projeto de irrigação, ele recebeu o lote de seu pai e continua a tradição da família na rizicultura, ampliado com a piscicultura e outras culturas de subsistências.

“Nós trabalhamos com arroz e temos um complemento com os peixes, a mandioca e outras culturas. Essa ajuda com a colocação dos alevinos é muito importante para um aumento na renda da família. A Codevasf está de parabéns. Enquanto recebermos esse apoio da Codevasf, estaremos aqui para trabalhar e passar esse ofício de geração a geração, como fizeram nossos pais, pois pretendemos deixar o lote para nossos filhos”, afirmou.

A inserção de peixes nos viveiros do projeto Santa Eliza foi realizado por técnicos da Codevasf que atuam no Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Itiúba, no qual são produzidos os alevinos para repovoamento da bacia hidrográfica do São Francisco e para ações de fomento à piscicultura familiar e empresarial. A equipe da unidade de recursos pesqueiros e aquicultura da Codevasf em Alagoas foi liderada pelo técnico em aquicultura Vinícius Dias.

“Essas são espécies bastante apreciadas no Baixo São Francisco. Em até um ano, os produtores já poderão fazer a despesca dos peixes inseridos nos viveiros da associação”, informou Dias.

De acordo com o engenheiro de pesca da Codevasf Alexandre Delgado, chefe do Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Itiúba, o cultivo de peixes em consórcio com culturas agrícolas que utilizam grande quantidade de água como o arroz propicia um melhor aproveitamento desse recurso natural, que, ao sair dos viveiros para os lotes, já vem carregado de importantes nutrientes para os cultivos.

“Esse tipo de consorciamento é sempre muito proveitoso para o produtor, pois além de propiciar o uso da água para diversos cultivos – o que é sempre importante em termos de bom uso da água – ajuda na adubação das plantas, pois normalmente contém teores consideráveis de nitrogênio e fósforo. Assim o produtor está maximizando o uso dessa água”, apontou Delgado.

O chefe do Centro de Recursos Pesqueiros e Aquicultura da Codevasf ressaltou ainda que o repovoamento dos viveiros escavados do projeto Santa Eliza é uma ação continuada que ocorre anualmente a pedido da Astra.

 

Agrolink

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