O MTE e o moinho: conta do imbróglio sobra para o consumidor

O MTE e o moinho: conta do imbróglio sobra para o consumidor

O desabamento parcial de um silo no Moinho Motrisa, em Maceió, está prestes a se transformar num imbróglio sem fim.

Nesta quinta-feira, pelo segundo dia, fiscais do Ministério do Trabalho (MTE) suspenderam a operação de retirada das placas de concreto que ameaçam desabar da indústria, no bairro do Poço – sob a alegação de que não foi apresentada a documentação necessária.

Enquanto o serviço não é realizado, parte da Av. Comendador Leão continua interditada desde a última segunda-feira. São dezenas de lojas no prejuízo. Isso sem falar no moinho e nos seus 370 empregos diretos e 3 mil indiretos. Se continuar desse jeito muitos trabalhadores podem perder o emprego.

Aumento no preço do pão

Pior: se o moinho não voltar a funcionar nos próximos dias, pode sobrar para todos os alagoanos. De acordo com empresários da área de panificação o produto importado chegará pelo menos 20% mais caro em Alagoas.

A indústria é única do tipo em operação do estado e a principal fornecedora de matéria-prima para a produção de pães, bolos e bolachas. O presidente da Associação dos Panificadores fez um alerta nesta quinta-feira: “com a importação de outros estados, o preço do frete terá de ser repassado ao consumidor e o aumento pode chegar a 20%”, alerta o Alfredo Dacal.

A emergência e a burocracia

Dá para imaginar a aflição de diretores e funcionários do moinho, moradores e donos de empresas do entorno da indústria.

Enquanto os fiscais abusam da burocracia e passam discutir filigranas, existe o risco de um novo acidente. Isso porque as placas que estão presas por alguns pedaços de ferro à estrutura do silo que desabou podem provocar novos estragos.

Nesse caso é de ser perguntar se a empresa deve continuar seguindo “as normas” ou correndo novos riscos de acidentes.

Só para comparar, imagine uma pessoa ferida deixar de ser atendida num hospital de urgência porque está sem os documentos.

O moinho vive situação parecida. É um caso de HGE sendo tratado como se fosse um paciente chegando para uma simples consulta médica e que precisa, passar antes, pela autorização do plano de saúde.

Um adendo

Conversei com o diretor da indústria após a redação deste texto. Paulo Godoy disse que tem consciência da gravidade do acidente e que no momento a prioridade do Moinho Motrisa é retirar as placas e evitar novos danos: “não sabemos ainda o que aconteceu. Nossa indústria trabalha há 50 anos em Alagoas, estamos entre os dez maiores pagadores de ICMS do Estado. Não vamos sair correndo, nem nos escondendo. Vamos assumir nossas responsabilidades e procurar resolver essa situação da melhor maneira possível. Nosso desejo é voltar a operar em Alagoas, mas nem sabemos se isso será possível”, pondera.

Para evitar perdas maiores para seus clientes, Godoy diz que o mercado de Alagoas deverá ser abastecido provisoriamente por outra indústria do grupo instalada em Sergipe: “é uma solução emergencial, pois o Moinho Motrisa opera com cerca de 10 mil toneladas por mês e abastece, além de Alagoas, parte dos mercados da Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte”, explica.

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Bccom Comunicação

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