MPE/AL oferece denúncia contra acusado de matar dono do Maikai

A 49ª Promotoria de Justiça da Capital do Ministério Público Estadual de Alagoas (MPE/AL) ofertou, nesta segunda-feira (31), denúncia à 9ª Vara Criminal da Capital contra o ex-gerente administrativo e financeiro da Choparia e Bar Show Maikai, Marcelo dos Santos Carnaúba, acusado de assassinar o empresário Guilherme Paes Brandão.

O MPE/AL classificou o crime como um homicídio triplamente qualificado em virtude de motivo torpe, impossibilidade de defesa da vítima e ocultação de outro delito. Carnaúba também responderá pelas alterações no lugar em que ocorreu o assassinato, numa tentativa de atrapalhar as investigações. Na denúncia, o Ministério Público reforçou o pedido de prisão preventiva do acusado já realizado pela Polícia Civil.

Para o promotor José Carlos Malta Marques, o crime aconteceu após a vítima descobrir os desvios financeiros praticados pelo acusado que ocupava cargo de confiança na empresa. Para não arcar com as consequências das irregularidades, o então gerente planejou e executou o assassinato do empresário, que era proprietário do estabelecimento.

A autoria do homicídio foi comprovada com a confissão do delito por Carnaúba e também com os depoimentos prestados pelas testemunhas do caso. Quanto à materialidade do crime, servem como provas o laudo pericial do local da morte, o laudo do exame cadavérico e a certidão de óbito da vítima.

De acordo com o inquérito policial entregue à 49ª Promotoria de Justiça da Capital, Brandão e Carnaúba estavam sozinhos na sala do gerente administrativo, dentro da casa noturna localizada no bairro da Jatiúca, no momento do crime. O acusado teria disparado o tiro fatal na vítima por volta das 8h20min da manhã do dia 26 de fevereiro.

Inquérito policial detalha homicídio

Inicialmente, as investigações apontavam que o delito teria sido o de latrocínio, pois Carnaúba que, até então, era a única testemunha ocular do suposto crime, havia descrito a ação de dois supostos criminosos, após a invasão do estabelecimento comercial no dia 26 de fevereiro. O gerente chegou a descrever características físicas dos suspeitos com o objetivo de atrapalhar as investigações da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual.

Na ocasião, nenhum outro funcionário do Maikai que estava na casa noturna no momento do crime viu qualquer movimentação estranha no local, levando às autoridades policiais a considerar a possibilidade de ter ocorrido um homicídio. Além disso, os supostos criminosos teriam levado apenas a quantia de R$ 2 mil, enquanto que, no local do delito, havia dois computadores e outros objetos de valor. Dias depois, o gerente confessou o crime em juízo.

Ainda segundo o inquérito policial, o denunciado estaria desviando dinheiro do estabelecimento comercial. Por essa razão, apesar do cargo de confiança, Carnaúba passou a ser investigado pela vítima, que cobrava constantemente a prestação de contas das transferências bancárias e de outros procedimentos realizados pelo acusado na condição de gestor administrativo e financeiro.

Com o aumento da desconfiança e o surgimento de provas que comprovavam a conduta de má-fé do acusado, Brandão decidira pelas férias compulsórias de Carnaúba no mês de março. O proprietário do Maikai já havia, inclusive, encontrado um substituto para o cargo exercido pelo gerente depois que as férias dele acabassem.

“Ao tomar conhecimento do que estava para acontecer e temendo as consequências pelos desvios de recursos financeiros pertencentes às empresas do grupo, o denunciado planejou a morte de seu patrão, comprando, nos dias em que antecederam o crime, no bairro do Tabuleiro dos Martins, a arma que usara para deflagrar o disparo que ceifara a vida da vítima”, descreve o promotor José Antônio Malta Marques, autor da denúncia do MPE/AL à Justiça.

Acusado afastou funcionários na manhã do crime

Como parte do plano de assassinato, Carnaúba chegou a conceder folga a alguns funcionários. A outros, ele sugeriu que chegassem mais tarde no expediente. Na manhã do dia em que ocorreu o crime, o gerente ligou o gerador de energia do estabelecimento, algo incomum no cotidiano da casa noturna, com o objetivo de disfarçar qualquer tipo de barulho diferente que despertasse suspeita quanto ao que estava prestes a ocorrer no escritório onde trabalhava.

A vítima, que costumava entrar na sala do acusado, adentrou o local sem a menor suspeita das intenções do empregado. “Já dentro da sala, Brandão foi atingido por um disparo de arma de fogo na região da nuca, o que nos fornece a certeza de que o empresário recebeu o ataque nas costas e pelas costas, vale dizer, por traição e de forma a não ter qualquer chance de defesa”, completa o promotor José Antônio Malta Marques.

Depois do assassinato, o então gerente administrativo e financeiro do Maikai arrastou o corpo do patrão, modificando a cena do crime, no intuito de simular outro delito no local, conforme a Polícia Civil constatou no laudo pericial de local de morte violenta, o que configura uma tentativa de fraude processual, segundo a denúncia de Malta Marques. Para se eximir do crime, Carnaúba ainda escondeu a arma na caixa de energia da casa e avisou aos demais funcionários que havia sofrido um assalto e que a vítima estava baleada.

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