Falência: Ademar Fiel assume comando do Grupo João Lyra

A publicação da “Certidão de Julgamento”, no portal do Tribunal de Justiça de Alagoas nesta sexta-feira,21, a tarde, vai acelerar a troca de comando do Grupo João Lyra.

Com três usinas em Alagoas e duas em Minas Gerais o Grupo JL já foi um dos maiores do país e chegou a gerar mais de 20 mil empregos diretos.

Em dificuldades financeiras, o grupo entrou em recuperação judicial em 2008. Como o plano de recuperação não foi cumprido, o então juiz da comarca de Coruripe, Sóstenes Alex, decretou a falência do grupo no ano passado.

Com vários embargos, os advogados de João Lyra conseguiram protelar a falência – até hoje. A partir de agora, na prática, quem assume o comando do Grupo JL é Ademar de Amorim Fiel, nomeado síndico da massa falida.

No despacho juiz autoriza a “continuidade provisória das atividades da falida, na forma de gestão colegiada, sempre deliberando por maioria, colegiado esse composto pelo Sr. Administrador Judicial e pelos advogados Carlos Benedito Lima Franco dos Santos e Felipe Carvalho Olegário de Souza”.

Essa decisão que fica valendo, segundo o TJ-AL, depois que o agravo de instrumento (Processo: 0801716-63.2013.8.02.0900) foi negado por unanimidade.

Recurso especial

A decisão da Justiça deve ser cumprida de imediato e, pelo que apurei, o administrador Ademar Fiel já esteve nesta sexta-feira na sede do Grupo JL, no bairro de Guaxuma.

O empresário e deputado federal João Lyra anunciou, através de sua assessoria, que continua a frente do grupo até que seja publicado o acórdão no Diário Eletrônico.

“O que foi publicado foi um resumo. Na próxima semana a 1ª Câmara Cível deve ler a ata, aprovar a ata e determinar a publicação do acórdão, o que deve levar mais uma ou duas semanas”, disse um assessor.

A assessoria jurídica do empresário está preparando um “recurso especial” que será apresentado ao TJ e encaminhado ao STJ. Não cabem mais recursos no âmbito da Justiça Estadual.

A apresentação do recurso no entanto não devolverá o comando do grupo a João Lyra. Isso só acontecerá, se acontecer, após sua apreciação no STJ.

O juiz ainda determinou “a indisponibilidade e a arrecadação de todos os bens em nome da falida, expedindo-se os competentes ofícios. O produto dos bens a serem arrecadados que estejam penhorados ou apreendidos entrarão para a massa falida, expedindo-se os ofícios às autoridades competentes, determinando a sua entrega ou o cancelamento dos gravames judiciais existentes”.

Certidão

A seguir, a certidão de julgamento publicada no site do TJ:

CERTIDÃO DE JULGAMENTO 0801716-63.2013.8.02.0900 Agravo de Instrumento Coruripe Agravante: Laginha Agro Industrial S/a,Advogado: Diógenes Tenório de Albuquerque Júnior (OAB: 4262/AL)Advogada: Carolina Fernanda Cordeiro (OAB: 11542/AL)Agravado: Massa Falida de Laginha Agro Industrial S/A Relator: Des. Fábio José Bittencourt Araújo Origem: Coruripe Certifico que a 1ª Câmara Cível, em sessão Ordinária hoje realizada, julgou os presentes autos, tendo decidido: Por unanimidade de votos tomou-se conhecimento do recurso para no mérito negar-lhe provimento no sentido de manter na íntegra a decisão impugnada que deferiu pedido para decretar a falência da agravante, com base no art.62 c/c art.94,III,g,da Lei nº 11.101/05; e determinar imediatamente a revogação da liminar de efeito suspensivo concedida nos autos deste recurso,às fls.263-273,para que,com urgência,se dê efetividade às determinações da decisão do Juízo de primeiro grau. Presente em plenário o advogado do agravante Dr. Diógenes Tenório de Albuquerque Júnior e o advogado do agravado Dr. Felipe Carvalho Olegário de Souza.. Tomaram parte no julgamento:Des. Fábio José Bittencourt Araújo, Des. Tutmés Airan de Albuquerque Melo e Des. Paulo Barros da Silva Lima. Presidiu a sessão o Exmo. Senhor Des. Tutmés Airan de Albuquerque Melo. Para constar lavro a presente certidão, do que dou fé. Maceió, 19 de fevereiro de 2014. Belª. Margarida Maria Melo Secretária da 1ª Câmara Cível

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Edivaldo Junior

Edivaldo Junior

Edivaldo Junior é jornalista, colunista da Gazeta de Alagoas e editor do caderno Gazeta Rural

Há 7 comentários. Adicione o seu

  1. 22 de fevereiro de 2014 | erilton roberto de sousa santos disse:
    ate a decisão final como q fica os funcionarios,pais de familia que estão passando por necessidades financeiras ?
  2. 22 de fevereiro de 2014 | erilton roberto de sousa santos disse:
    e ate ter a decisão da justiça ,como q fica a situação dos funcionarios e pais de familia que estão passando por crise financeira por causa do grupo?
  3. 24 de fevereiro de 2014 | wanderson dos santos ferreira disse:
    Sr. joão lyra se vc queria tanto a usina guaxuma fucionado, porquer não argio antes que a usina decretace falencia, que era uma empresa de porte grande em alagoas que gerava muitos emprego para os pai de familia, e agora fica brigando na justiça para não sede a gerencia da usina para uma pessoa que se dispoe a colocar a usina de volta a fucionar.
  4. 25 de fevereiro de 2014 | jose cicero disse:
    como que um grupo tão importante no cenario canavieiro, vem chegar neste colapsu? nunca trabalhei pra esse grupo mas, conheço muito bem, sua atuaçaõ no mercardo alcooleiro e sua importancia para estado de alagoas . que pena só quem sofre é aquele menos favorecido e quem vai arcar com todas as consequencias dos mais humildes rabalhadores ????
  5. 26 de fevereiro de 2014 | jales rosa da silva disse:
    Fui funcionário do grupo em Minas, aprendi muito lá. Devo muito ao Grupo, porém, aos que administraram não, pois a maioria eram prepotentes, achavam e agiam como em Alagoas, coronéis, mas até tento entender o porque, pois se a "diretoria presidencial" sempre foi assim, achavam que também deviam agir assim. Achavam que Minas era terra sem lei como lá, que mandavam e desmandavam sobre as leis trabalhistas. Chegou ao absurdo de um dia um funcionário chamar um supervisor pelo nome e ele com toda "pompa" disse: FULANO não, DR. FULANO"... Então, dá pra imaginar como era a administração das empresas... Sem falar do todo poderoso CHEFÃO que quando andava pela sua usina (agora não mais sua) não podíamos cumprimentá-lo sob pena de até ser demitidos. Parece mentira ou exagero, mas era assim, infelizmente... Infelizmente quando o todo poderoso resolveu pleitear o sonho antigo de ser governador do seu estado, deixou aqui em MG, suas empresas nas mãos de gerentes, supervisores, que na maioria DELAPIDARAM seu rico patrimônio, e o resultado das eleições todos sabem... de todos os municípios, me parece que "vossa senhoria" só teve maioria em UM.... Fui demitido em setembro de 2007 (por sorte) pois neste mesmo ano começou a derrocada e hoje massa falida do Grupo. Isso nos prova que devemos ter uma visão mais ampla de funcionários, colaboradores e que não somos escravos, temos direitos e deveres e devemos aprender com nossos fracassos... Tenho colegas no grupo de trabalham a mais de 15 anos e hoje encontram-se sem receber dois, tres meses, férias, 13º, e sem recolhimento de FGTS. Parabéns ao ilustre juiz que sem medo de represálias (pois o que dizia aqui era que em Alagoas tudo se resolvia do jeito de lá) concluiu e "despachou " essa agora MASSA FALIDA pra longe daqui! Parabéns!!!
  6. 28 de fevereiro de 2014 | Wendel Quirino Medeiros disse:
    Trabalhei no grupo no período de 2004 à 2012, pois bem, de 2004 à 2007 era uma maravilha, depois de 2007 o grupo desabou de uma maneira levando junto todos os seus colaboradores, estou com uma ação na justiça contra o grupo JL, só de fundo de garantia tem 25 meses que o grupo JL não depositou para mim, mas graças a Deus estou empregado esperando o que a justiça vai resolver em meu favor....................resultado, sai com uma mão na frente e uma atrás.......
  7. 1 de março de 2014 | Geovane Gomes da Silva disse:
    Pois é meu amigo, estamos esperando que tudo se resolva da melhor maneira possível para todos nos já que temos salários em atraso como também o decimo; só nos resta é esperar ....

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