Variedades transgênicas incluem algodão, cana-de-açúcar e feijão

Quase unanimidade entre os produtores rurais, a soja transgênica é cultivada em 92% das lavouras de soja do País. Porém, dados da consultoria Céleres mostram que outras culturas geneticamente modificadas também estão crescendo. O milho, por exemplo, deve atingir uma área total de 12,9 milhões de hectares no ano que vem. Em relação à 2008/2009, o primeiro ano em que a biotecnologia foi adotada para o produto, o aumento foi de 11,7 milhões de hectares. O incremento também vale para o algodão transgênico, que ampliou em 4,8% a área plantada, passando de 546,7 mil hectares para pouco mais de 572,9 mil hectares.

– Se nós observarmos ao longo dos anos, após a aprovação dessas sementes geneticamente modificadas, comprovamos que o produtor reconhece os benefícios dessa tecnologia. Há uma mudança de cenário ao longo dos tempos para uma grande aceitação – afirma a diretora executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia, Adriana Brondani.

Do feijão à cana-de-açúcar

Entre outras culturas incluídas nos estudos de transgenia, está a cana-de-açúcar. O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), em Piracicaba (SP), guarda variedades resistentes a insetos, com alto teor de açúcar e até mesmo mais tolerantes à seca. O objetivo é aumentar a produtividade. No entanto, de acordo com a instituição, a primeira variedade só deve ser lançada em 2017.

– Para ser uma variedade comercial, é preciso ter uma combinação de características favoráveis que resistam às principais doenças, com uma boa performance em campo. Da mesma forma que é cobrada a pesquisa, a variedade transgênica também vai ser cobrada, inclusive para manter e gerar maior benefício – justifica a coordenadora de biotecnologia do CTC, Sabrina Chabregas.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) também desenvolve outras variedades, como ofeijão. Os pesquisadores prometem uma semente geneticamente modificada que seja resistente ao mosaico dourado. A doença é causada por um vírus transmitido através de um pequeno inseto chamado mosca branca, encontrado em todas as regiões do país.

– Em muitas regiões onde a incidência é alta e agricultores não conseguiam produzir, haverá uma retomada do cultivo. Com isso a gente espera que nós tenhamos mais grãos sendo produzidos em determinadas épocas do ano, reduzindo as flutuações de produção que nós temos no Brasil, que consequentemente levam a oscilações fortes no preço do feijão – projeta o pesquisador Francisco Aragão.

Já o algodão transgênico promete simplificar e facilitar a vida do produtor, que vai poder diminuir o número de aplicações de inseticidas e outros agroquímicos. A proposta é da alemã Bayer. A tecnologia deles controla as pragas que atacam a cultura e é tolerante aos herbicídas à base de glifosato.

E os estudos e culturas não devem parar por aí. A adoção da biotecnologia por região mostra crescimento expressivo das regiões do oeste da Bahia, sul do Maranhão e Piauí e norte do Tocantins. Mato Grosso continua liderando o ranking por estados, com um total de 10,7 milhões de hectares e expansão de 9,2% frente à safra passada. Apesar de polêmico, na avaliação de especialistas, os transgênicos vieram pra ficar.

– Haverá espaço para tudo no mercado: para o transgênico, para o convencional, para o produto orgânico. Quem vai definir o tamanho de cada segmento é o mercado – acredita o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues.

Rural Br

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Bccom Comunicação

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