Tomate foi um dos alimentos que mais pesou no bolso do consumidor brasileiro em 2013

Tomate foi um dos alimentos que mais pesou no bolso do consumidor brasileiro em 2013

Nunca os preços do tomate mexeram tanto na relação entre feirante e consumidor. Teve até cantina italiana que retirou das receitas o ingrediente, que estava caro demais. O preço pago ao produtor subiu mais de 800%. No atacado, a caixa de 20 quilos, que custava R$ 20, foi vendida por mais de R$ 160. Abaixa produtividade reduziu a oferta e fez os preços do tomate darem um salto, principalmente entre março e abril de 2013. No decorrer do ano, os valores voltaram à normalidade. E agora é possível avaliar o que aconteceu.

O clima e as doenças que atacam as plantas foram grandes desafios dos produtores de tomate em 2013. Mas não foram os únicos. O produtor rural Cyro Abumussi, por exemplo, enfrenta a falta de mão de obra para o setor.

– Produtores que tinham semeado, quando foram precisar plantar as mudas, não encontraram gente. Outros, que se arriscaram a plantar, não tinham mão de obra pra trabalhar. Então, perdeu-se muda, perderam-se frutos, perderam-se plantas. Isso acabou acarretando o preço absurdo de R$ 160 uma caixa – diz Cyro.

O tomate é um dos alimentos que mais pesou no bolso do consumidor brasileiro em 2013. Mas outros produtos subiram ainda mais. A campeã é a farinha de trigo, que teve aumento de mais de 30%, trazendo com ela as altas dos preços do macarrão e do pão francês. O leite também tem destaque, com aumento de mais de 20%. Ainda fazem parte da lista dos vilões da inflação: feijão preto, ovos, hortaliças e verduras. A inflação acumulada de janeiro a novembro foi de 10%. Alguns poucos alimentos tiveram queda de preços. É o caso do açúcar, do alho, da cebola e do óleo de soja.

A inflação parece terminar o ano sob controle, mas o que não está do jeito que o governo gostaria é o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do país, que no terceiro trimestre ficou negativo em meio por cento. No acumulado até setembro, o crescimento do PIB é de 2,4%. E foi o agronegócio que ajudou a segurar este pequeno crescimento. Com PIB isolado bem mais positivo, o agronegócio brasileiro teve alta de mais de 8%.

– Este ano de 2013 foi um ano em que a agricultura ajudou demais no PIB. É um setor que deve crescer 12% e contribuiu de maneira significativa para o crescimento do produto. Como a próxima safra tende a ser boa, mas não muito maior que a de 2013, a contribuição da agricultura para o crescimento do PIB será bem menor – afirma o economista Alexandre Mendonça de Barros.

Neste ano, só as exportações de soja subiram mais de 80%, diminuindo o déficit da balança comercial brasileira.

– Esse é um resultado muito positivo, que ajuda obviamente a impactar a balança como um todo. E nós esperamos continuar tendo resultados positivos com relação à soja nos próximos meses – diz o secretário de Comércio Exterior do Ministério de Desenvolvimento Indústria e Comércio, Daniel Godinho.

Além da soja, 2013 foi um ano de aumento da produção e exportação de milho, frango, celulose e couros. Nunca enviamos para fora tanta carne bovina. Foi mais um recorde e, mesmo assim, o saldo comercial brasileiro até novembro está negativo em quase US$ 90 milhões. As exportações agrícolas brasileiras devem superar quase os US$ 100 bilhões. Foi o setor mais relevante, o único setor que gerou um superávit que deve bater perto de US$ 70 bilhões a US$ 80 bilhões.

Para estimular a permanência de capital no país, o banco central aumentou a Selic. A taxa básica de juros começou o ano em 7,5% e foi subindo até chegar aos 10%. O mercado acredita que a alta de juros deve continuar no ano que vem.

O que também deve subir é o dólar. No final de 2013, o banco central dos Estados Unidos reduziu a compra de títulos. De US$ 85 bilhões para US$ 75 bilhões mensais. Os dez bilhões a menos na economia norte-americana podem fazer com que a cotação do dólar suba em todo o mundo. No Brasil, para evitar uma desvalorização excessiva do real, o Banco Central estendeu o programa de proteção cambial. Até junho de 2014, o governo vai oferecer ao mercado US$ 1 bilhão por semana, em intervenções diárias no mercado de câmbio.

– Vai ser um ano também provavelmente de crescimento ao redor de 2%, uma inflação de 6% a 6,5%. Nós vamos continuar com saldo comercial muito baixo. Um déficit nas transações com o resto do mundo. E acho que consolida esta visão do real um pouco mais desvalorizado também – afirma Mendonça de Barros.

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