Retrospectiva: Veja os 10 assuntos mais procurados da agricultura esse ano

Retrospectiva: Veja os 10 assuntos mais procurados da agricultura esse ano

Em 2013, os agricultores brasileiros estiveram muito atentos aos ataques de helicoverpa e ao CAR.

1) Helicoverpa

Uma lagarta até então pouco conhecida tirou o sono dos agricultores brasileiros em 2013. Os primeiros estragos ocorreram na safra de algodão 2012/2013 da Bahia, e resultaram num prejuízo de quase R$ 2 bilhões que deixou todos os produtores em alerta. Voraz, a Helicoverpa armígera se alimenta de folhas, frutos e caules de algodão, soja, milho, feijão, tomate, citrus, e outras plantas. Em setembro, mal a soja havia sido plantada em Mato Grosso, lá estava ela. Para perplexidade geral, foi encontrada se alimentando até mesmo de buva, em Mato Grosso do Sul.

O ano termina estado de emergência fitossanitária declarada em seis Estados, produtores ansiosos por comprar o benzoato de emamectina – o inseticida considerado mais eficiente contra esta lagarta – e técnicos e especialistas recomendando insistentemente a utilização de manejo integrado de pragas, preocupados com o uso indiscriminado de agrotóxicos na safra 2013/2014.

2) Cadastro Ambiental Rural

A aprovação do novo Código Florestal em maio de 2012 gerou uma nova e intensa discussão sobre o Cadastro Ambiental Rural, tornado obrigatório com a nova lei. Todo o ano de 2013 foi de intensas discussões com o governo e muitas, muitas dúvidas entre os proprietários rurais. O ano termina com o sistema de informática criado pelo governo federal – o Sistema do Cadastro Ambiental Rural (Sicar), implantado em todos os Estados que não possuíam sistemas próprios de regularização ambiental. A promessa era de que o decreto que dá início ao prazo de um ano para todas as mais de cinco mil propriedades rurais do país fazerem sua regularização ambiental sairia ainda em dezembro, mas não deu tempo.

3) Imposto Territorial Rural

Em agosto e setembro, a busca por informações para tirar dúvidas sobre a declaração do Imposto Territorial Rural foi o que movimentou a internet.

4) Vazio Sanitário

O vazio sanitário é um período de ausência de plantas vivas nas lavouras de culturas como soja, feijão e algodão. Na soja, ele visa a reduzir a quantidade de esporos que aparecem na fase epidêmica da ferrugem asiática durante a entressafra e, dessa forma, diminuir a possibilidade de incidência precoce da doença. Especialistas garantem que a medida ajuda até mesmo no combate à helicoverpa. O período, que varia de 60 a 90 dias. Atualmente, 12 Estados adotam o período do vazio sanitário regulamentado: Tocantins, Maranhão, Pará, Bahia, Rondônia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, São Paulo, Minas Gerais e Paraná. O produtor que não cumprir o vazio estará sujeito a penalidades como multas. Os períodos variam conforme a região e a cultura, e motivaram muitos acessos às notícias relacionadas a este assunto ao longo deste ano.

5) Plano Safra

Em 2013, o governo federal disponibilizou a maior quantia de recursos da história do Plano Safra. O total de recursos do Plano Agrícola e Pecuário 2013/2014  é 18% maior que o total disponível na temporada anterior. Foram disponibilizados R$ 136 bilhões, sendo R$ 97,6 bilhões destinados a financiamentos de custeio e comercialização e R$ 38,4 bilhões aos programas de investimento. O plano incluiu medidas específicas para a Agricultura Familiar, com R$ 39 milhões; e para o Semiárido, com R$ 7 bilhões. Uma das medidas comemoradas foi a linha de crédito de R$ 4 bilhões para armazenagem, um começo de caminho para resolver o sério deficit de armazenagem do país.

6) Emplacamento de tratores

Em maio, duas resoluções do Conselho Nacional de Trânsito (Contram) passaram a determinar que tratores, máquinas agrícolas, pulverizadoras, colheitadeiras e semeadoras que transitassem em vias públicas fossem emplacadas. Com a resolução do Contram, os produtores deveriam pagar Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) todos os anos. As resoluções deixaram os produtores de cabelo em pé, e geraram muita discussão no Congresso Nacional. Em julho o Contram prorrogou para dezembro de 2014 a data limite para que as máquinas fossem emplacadas.

A essa altura, já tramitava no Congresso o PLC 57/2013, que põe por um ponto final no problema. Aprovado na Câmara dos Deputados em junho, o projeto aguarda aprovação no Senado. A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado já realizou audiências públicas para discutir o tema, e a proposta está sob a relatoria da senadora Ana Amélia Lemos (PP/RS).

7) Tragédia da Boate Kiss

No dia 27 de janeiro, a tragédia do incêndio na Boate Kiss, no município gaúcho de Santa Maria, matou 242 jovens e consternou todo o país. A festa havia sido promovida por estudantes dos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária, Zootecnia, Pedagogia e dos cursos técnicos em Alimentos e Agronegócio da Universidade Federal de Santa Maria. Três leilões da raça crioula foram adiados em função de tragédia, assim como o lançamento da Expodireto Cotrijal 2013. A corrente de solidariedade para ajudar os parentes das vítimas hospitalizadas também mobilizou a comunidade agropecuária.

8) Lei dos Motoristas

No final de 2012 entrou em vigor a nova Lei dos Motoristas, Lei 12.619/2012, que prevê, entre outras coisas, intervalos de descanso a cada quatro horas para estes profissionais. Sob pena de pagar multa e perder pontos na carteira, os motoristas são obrigados a cumprir uma jornada de oito horas, descanso de 11 horas entre as jornadas e intervalo de 30 minutos a cada quatro horas ao volante. Visando aumentar a segurança nas cidades e, principalmente, nas estradas, a nova lei causou polêmica.

Os caminhoneiros admitem que não conseguem cumprir o que determina a lei. Para eles, parar a cada quatro horas pode se tornar perigoso, porque nem sempre eles conseguem encontrar um local que ofereça segurança nas estradas – segundo a Confederação Nacional dos Transportes (CNT), 60% das estradas brasileiras não têm estrutura para isto. Já tramita na Câmara dos Deputados um projeto que amplia a jornada de trabalho dos motoristas, aumenta para seis horas os períodos até o intervalo intrajornada e reduz o descanso no fim da jornada para oito horas.

9) Novo sistema de plantio de cana

O plantio de cana-de-açúcar tradicionalmente é feito através da colocação dos colmos em sulcos. Mas um novo sistema, desenvolvido pelos pesquisadores do Instituto Agronômico (IAC), ligado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, está chamando a atenção dos produtores. O sistema de mudas pré-brotadas (MPB), acelera produtividade e reduz custos. Uma boa notícia para o setor, que deve terminar a safra 2013/2014 com um crescimento de 12% no volume produzido. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil deverá encerrar a safra com 659,85 milhões de toneladas colhidas.

10) Denúncias contra ministro da Agricultura

Este também foi um ano tenso para o ministro da Agricultura, Antônio Andrade, que tomou posse em março. Durante todo o ano o Ministério sofreu pressões de vários setores, como café e citrus, por medidas de socorro aos produtores. O ministro também sofreu pressões dos próprios funcionários do ministério, insatisfeitos com nomeações para algumas secretarias. Como se não bastasse, Andrade ainda se viu envolvido em uma sequencia de denúncias de corrupção.

Em agosto, um funcionário da Petrobras deu entrevista à Revista Época afirmando que o ministro seria um dos envolvidos em um esquema para favorecer parlamentares do PMDB e a campanha presidencial de Dilma Rousseff (PT) em 2010.Alguns dias depois, o presidente do Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa), Wilson Roberto de Sá, afirmou ter conhecimento de uma nova denúncia de suspeita de corrupção envolvendo o ministro, dessa vez relacionada à liberação de verbas para a reforma do Laboratório Nacional Agropecuário de Minas Gerais (Lanagro-MG). Nenhuma das denúncias foram comprovadas até agora. Com a proximidade das eleições, Andrade poderá deixar o ministério até abril de 2014, para se candidatar a deputado estadual ou federal por Minas.

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