Em 2013, fenômenos climáticos extremos atrapalharam a produção de alimentos do país

Em 2013, fenômenos climáticos extremos atrapalharam a produção de alimentos do país. A seca voltou a castigar o Nordeste, onde mais de 70% dos municípios decretaram situação de emergência. Produtores de soja do oeste da Bahia tiveram muitas perdas. No sul, foi o excesso de chuva e a geada que comprometeram outros setores do agronegócio brasileiro, como a fruticultura e a cultura do trigo.

Pelo segundo ano consecutivo, as águas do Oceano Atlântico não permitiram a atuação da Zona de Convergência Intertropical, sistema responsável pelas chuvas entre os meses de fevereiro e abril. Em alguns pontos do Nordeste as chuvas só foram registradas com volumes mais significativos no final de novembro.

Verão: seca no Nordeste e enchentes no Sudeste

O verão passado foi marcado por uma longa seca que afetou a região Nordeste. Neste caso, a culpa não foi da neutralidade do oceano Pacífico e sim do Atlântico, que pelo segundo ano consecutivo, teve as águas na costa do Nordeste desfavorecendo a atuação da Zona de Convergência Intertropical, sistema responsável pelas chuvas nesta época do ano. Foi a temperatura do oceano Atlântico que definiu a qualidade das chuvas neste verão 2013.

No interior do Nordeste, que inclui o Sertão e o Agreste nordestinos, a partir de maio não houve a mínima esperança de chuva, que chegaram somente no final de novembro. Além do impacto nas lavouras, os produtores rurais também sofreram com os constantes problemas no abastecimento de água. Faltou até para o consumo humano. Os caminhões-pipa, que passavam a cada 15 dias, não foram suficientes para atender a necessidade da região.

No mesmo período, outras regiões do país como o Centro-Oeste e Sudeste viveram uma situação oposta. O excesso de chuva trouxe prejuízos para a produção de hortaliças e a colheita de algumas culturas foi atrasada. Os produtores de tomate de São Paulo acumularam perdas de 40% e também tiveram problemas com a incidência de pragas. Com isso, o preço disparou, o produto foi apontado como vilão da inflação e virou piada nas redes sociais.

No final de agosto, em Esteio, no Rio Grande do Sul, as chuvas causaram muitos transtornos para os expositores e organização da Expointer, uma das mais tradicionais feiras agropecuárias da América Latina. Em quatro dias choveu duas vezes mais do que a média histórica do mês. A cidade foi uma das mais atingidas e cerca de 10% do parque ficou alagado.

O final do inverno e o início da primavera foi um período marcado por muita variabilidade nas condições de tempo sobre o Brasil. Dentro de um mesmo mês se observou ondas de calor e ondas de frio. Setembro teve dias em que as temperaturas oscilaram em torno dos 40ºC no Centro-Oeste, enquanto no Sul fez calor e frio extremo com formação de geadas e temperaturas abaixo de zero grau. Mesmo parecendo uma condição fora dos padrões e que cause alguns transtornos e desconfortos, se pode afirmar que esse padrão climático é típico desta época do ano.

Em outubro e novembro, a fruticultura do Rio Grande do Sul foi novamente atingida pelas chuvas. Na região da Serra as perdas chegaram a 80%, um prejuízo de quase R$ 10 de reais. As poucas frutas que restaram ficaram marcadas pelo granizo e não foram comercializadas, os produtores de uva e pêssego tiveram que acionar o seguro agrícola.
Inverno: neve, geada e prejuízos

O frio extremo registrado em julho no Brasil o grande destaque do inverno de 2013. Tivemos uma massa de ar polar que, além de ser intensa, entrou pelo continente sul-americano com trajetória continental, o que permite a sua intensificação durante o percurso e explica as temperaturas negativas registradas e a ocorrência de geadas amplas no Sul do Brasil.

O Estado mais prejudicado foi o Paraná, onde as plantações de trigo foram extremamente atingidas. As lavouras estavam em um estágio mais avançado do que no Rio Grande do Sul, porque haviam sido plantadas anteriormente. As geadas atingiram estas lavouras justo na fase de perfilamento e floração trigo, que é mais suscetível ao frio. Segundo o Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), as perdas do trigo na região de Toledo, no oeste do Estado, chegaram a 100%

Em paralelo se observou a formação de um ciclone extratropical sobre o oceano Atlântico, próximo da costa da Argentina e do Uruguai que foi responsável por jogar umidade e condições de chuviscos na faixa leste dos Estados do Sul. A combinação do ar frio com a condição de chuva leve deu origem à neve e à chuva congelada, fenômenos que foram frequentes neste inverno. A neve nada mais é do que um chuvisco que, ao encontrar temperaturas baixas em torno de zero grau próximas da superfície, acabam se transformando em flocos de neve.

Também chamou a atenção a duração da queda de neve. Tivemos neve por dois dias seguidos em julho, quando o comum para esta região é algo mais isolado e passageiro. O acúmulo de neve transformou as paisagens brasileiras do Sul do Brasil em típicos cenários europeus. O visual pode ter sido bonito, mas a condição extrema da neve forçou o fechamento de estradas em Santa Catarina, impedindo o escoamento da safra.

A neve em julho pode ter repercutido mais, no entanto, o produtor sabe que é a geada que é infinitamente mais nociva aos sistemas de produção, especialmente o agropecuário. A geada é o congelamento do orvalho na superfície que, dependendo da intensidade, pode levar à queima das folhas e, consequentemente, à morte das plantas. O frio foi tamanho no mês de julho que chegou a prejudicar até os rebanhos em Mato Grosso do Sul. As temperaturas chegaram a ficar negativas neste Estado e inferiores a 10ºC em Mato Grosso e sul de Goiás, o que provocou a morte de várias cabeças de gado.

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