Vazio sanitário: saiba quais Estados adotam medida e os períodos estabelecidos em cada região

vazio sanitário é um período de ausência de plantas vivas nas lavouras de culturas como sojafeijão e algodão. Na soja, ele visa a reduzir a quantidade de uredósporos (esporos que aparecem na fase epidêmica da doença) no ambiente durante a entressafra e, dessa forma, diminuir a possibilidade de incidência precoce da ferrugem asiática. O período, que varia de 60 a 90 dias, foi estabelecido considerando que o tempo máximo de viabilidade de uredósporos registrado é de 55 dias.

O objetivo do vazio da soja não é eliminar a ferrugem, mas preveni-la. A medida é uma estratégia de manejo para reduzir o inóculo nos primeiros plantios, diminuindo a possibilidade de incidência dessa doença no período vegetativo e, consequentemente, reduzindo o número de aplicações de fungicidas e o custo de produção.

Em 2006, a medida foi instituída nos Estados de Mato Grosso, de Goiás e do Tocantins. Em 2007, foi publicada pelo Ministério da Agricultura a Instrução Normativa Número 2, de 29 de janeiro de 2007, instituindo o Programa Nacional de Controle da Ferrugem Asiática da Soja (PNCFS), no qual, entre outras diretrizes, ficou estabelecido que os Estados deveriam criar seus Comitês Estaduais de Controle da Ferrugem Asiática da Soja e que as instâncias intermediárias do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária (SUASA) em cada Estado deveriam estabelecer um calendário de semeadura de soja, com um período de, pelo menos, 60 dias sem a presença de plantas cultivadas ou voluntárias.

Atualmente, 12 Estados adotam o período do vazio sanitário regulamentado: Tocantins, Maranhão, Pará, Bahia, Rondônia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, São Paulo, Minas Gerais e Paraná. O produtor que não cumprir o vazio estará sujeito a penalidades como multas.

Períodos de vazio sanitário da soja em cada Estado

Tocantins: inicia no dia 1º de julho e encerra em 30 de setembro.
Pará: no Estado, devido a diferenças climáticas, foram estabelecidas duas etapas de vazio sanitário. De 15 de julho a 15 de setembro nas microrregiões de Conceição do Araguaia, Redenção, Itaituba (com exceção dos municípios de Rurópolis e Trairão), Marabá e Altamira (distrito de Castelo dos Sonhos). De 1º de outubro a 30 de novembro nas microrregiões de Santarém, Paragominas, Bragantina, Guamá, Altamira (com exceção Distrito Castelo dos Sonhos).
Rondônia: inicia em 15 de junho e vai até 15 de setembro.
Maranhão: o vazio sanitário é dividido em dois períodos. O primeiro ocorre de 15 de agosto a 15 de outubro e compreende as microrregiões do Alto Mearim, Grajaú, Balsas, Imperatriz e Porto Franco. Já o segundo período, que vai de 15 de setembro a 15 de novembro, abrange a Baixada Maranhense, Caxias, Chapadinha, Codó, Coelho Neto, Gurupi, Itapecuru Mirim, Pindaré, Presidente Dutra e Rosário, além de Paço do Lumiar, Raposa, São José de Ribamar e São Luis.
Bahia: de 15 de agosto a 15 de outubro.
Goiás: inicia em 1º de julho e termina em 30 de setembro.
São Paulo: inicia em 15 de junho e termina em 15 de setembro.
Paraná: de 15 de junho a 15 de setembro.
Mato Grosso: de 15 de junho a 15 de setembro.
Minas Gerais: de 1º de julho a 30 de setembro.
Mato Grosso do Sul: inicia em 15 de junho e se estende até 15 de setembro.
Distrito Federal: de 1º de julho a 30 de setembro.

Paraguai

O Paraguai, país que faz fronteira com o Brasil em Mato Grosso do Sul e Paraná, também adota o vazio sanitário para a soja. A medida foi determinada no país pela Resolução 071, de 11 de fevereiro de 2011, do Servicio Nacional de Calidad Y Sanidad Vegetal Y de Semillas (SENAVE). O período de vazio sanitário ocorre entre 1º de junho e 30 de agosto.

Vazio sanitário para outras culturas

Feijão

Na cultura, o vazio sanitário é importante para combater a mosca branca, praga que ataca o feijão e causa grandes perdas de produção. Além de sugar a seiva das plantas, o inseto transmite doenças de difícil controle como as viroses, principalmente o mosaico dourado no caso do feijoeiro. Com o vazio sanitário, espera-se diminuir o ciclo de proliferação da mosca branca e, consequentemente, das doenças transmitidas por ela. No período determinado em cada Estado não pode existir nenhuma planta viva de feijão. A exceção se dá em áreas – monitoradas e controladas – onde o plantio é destinado à pesquisa científica ou à produção de semente genética.

Minas Gerais: 15 de setembro a 25 de outubro.
Distrito Federal: entre 1º e 20 de outubro.
Goiás: entre 1º e 30 de setembro (sudoeste, sul e sudeste) e entre 20 de setembro e 20 de outubro (norte e nordeste do Estado e municípios da Estrada de Ferro, Entorno do Distrito Federal, Vale do Araguaia)

Algodão

O objetivo do vazio sanitário do algodão é evitar a ocorrência da praga denominada Anthonomus grandis Boheman, mais conhecida com “Bicudo do Algodoeiro”. Considerado a principal praga da cultura, o bicudo, além de grande capacidade destrutiva, possui habilidade para permanecer nas lavouras durante a entressafra.

Minas Gerais: de 20 de agosto a 20 de outubro.
Mato Grosso: de 1º de outubro até 30 de novembro.
Mato Grosso do Sul: 1º de outubro até 30 de novembro.
Goiás
Cristalina
: 10 de agosto até 30 de outubro.
Rio Verde e Itumbiara: 1º de setembro a 20 de novembro.
Chapadão do Céu: 10 de setembro a 30 de novembro.
Jussara: 1º de novembro a 20 de janeiro.
Bahia: no Estado há apenas uma data limite para plantio, não ocorrendo o vazio propriamente dito.

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Descrição do autor

Edivaldo Junior

Edivaldo Junior

Edivaldo Junior é jornalista, colunista da Gazeta de Alagoas e editor do caderno Gazeta Rural

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